O rio Aricá Mirim, em Santo Antônio do Leverger (34 Km ao sul de Cuiabá), está perdendo o rumo. Depois da construção da ponte que liga trechos da MT-040 na Barra do Aricá, em março de 2010, uma série de problemas ambientais preocupa a população ribeirinha, entre elas a ruptura da margem do rio e a formação de um lago que desvia o curso normal da água.
Quem mora próximo à ponte e depende basicamente do rio garante que o aterro da rodovia foi feito com material retirado das margens. Fragilizado, o solo teria cedido à força da água. Com isso, o rio se confunde com a lagoa, que avança conforme a velocidade e o nível da água.
A professora Adilza Aruda trabalha na escola rural da região e conta que, na época, toda a comunidade foi contra a retomada da construção da ponte - pois ela havia sido iniciada há uma década e embargada a pedido do Ministério Público. "Sempre fomos contra pois já era uma tragédia anunciada".
Conforme explica o empresário Altamiro José Leite, 52, que vive na região há 12 anos, o MP solicitou novamente a interdição da obra, em 2009, pois a ponte está localizada em uma Área de Preservação Permanente, além do risco que oferece aos motoristas, já que está em uma curva da rodovia.
Superintendente afirma que toda obra gera algum dano.
Para o superintendente de obras de transporte do Estado, Zenildo Pinto de Castro Filho, toda a obra executada na região do Pantanal causa algum dano à natureza. Apesar de considerar o rompimento da margem um fato previsível, afirma que serão criadas estruturas de contenção para impedir o desvio do curso do rio.
