Dante e as fronteiras internacionais
Se vivo estivesse, completaria 59 anos, neste seis de fevereiro, o Homem das Diretas Já, o Homem que mudou para sempre o destino de Mato Grosso.
Filho de um advogado, que foi também deputado estadual, cursou Engenharia no Rio de Janeiro, onde se identificou com o ideário de esquerda, militando no MR-8.
Formando, Dante retorna a Cuiabá em meados da década de 1970, e filia-se ao MDB, iniciando uma trajetória política fenomenal.
Dentre tantas lutas, conquistas e realizações no Legislativo e no Executivo, destaco como sua maior e mais importante obra a Reforma do Estado, empreendida por Dante de Oliveira à frente do Governo de Mato Grosso.
Dante de Oliveira tinha sintonia finíssima com os anseios populares, sabia, como pouquíssimos, interpretar a vontade do povo, e dispunha de coragem e determinação para grandes realizações. Mesmo que não fosse compreendido em seu tempo.
As soluções para os setores energético, ferroviário, educacional, bem como para tantas outras demandas, longamente ignoradas e respondidas eficazmente por Dante de Oliveira, permitiriam ao Estado dar o salto de qualidade que testemunhamos na última década.
Contudo, um dos temas mais discutidos nas eleições passadas, tanto em âmbito nacional quanto estadual, foi o controle das fronteiras internacionais, questão que Dante de Oliveira debatia com veemência, e para a qual chamava a atenção do País desde o início da década passada.
Estadista que era, Dante de Oliveira estava à frente de seu tempo. Vislumbrava, com a sensibilidade rara dos verdadeiros líderes políticos, os horizontes de gerações futuras, ainda que a sua não a compreendesse.
Foi essa extraordinária capacidade de focar o futuro sem se descuidar do presente que permitiu a Dante de Oliveira empreender a grande obra de ‘engenharia humana’, de ‘arquitetura política e social’ – a Reforma do Estado.
Muito mais e além da reestruturação organizacional da gestão pública, que conferiu agilidade e transparência ao Governo, com a Reforma do Estado Dante iniciou um processo de irreversível mudança de mentalidade social.
Ao tomar crescente consciência de que o Estado é construído pela – e para – sociedade, o cidadão se dá conta de que suas demandas legítimas não podem ser ignoradas pelos governantes.
Foi esse generoso processo de legitimação democrática dos pleitos que Dante de Oliveira pôs em movimento irreversível. E que gerou, além da cobrança permanente por investimentos em infraestrutura, uma agenda social capaz de antecipar temas como esse da segurança pública nas fronteiras internacionais. E que tanto interessa a Mato Grosso.
Que neste aniversário do Homem das Diretas Já, do responsável pela reforma do Estado mato-grossense, esse tema volte ao debate. E que esse debate gere soluções que tragam Paz e Segurança ao povo brasileiro.
Valeu, Dante.
*WILSON SANTOS é professor e ex-prefeito de Cuiabá
