A Baía de Chacororé, localizada no município de Barão de Melgaço (121 quilômetros de Cuiabá) que agonizou com a pior seca da história, se recompõe aos poucos. A temporada de chuvas no Pantanal mato-grossense começou mais tarde e agora tem sido generosa para a região.
Onde se via a terra rachada hoje há uma imensidão de água. Animais que perambulavam na várzea seca atrás de comida agora quase não são vistos. O verde mudou completamente o cenário e serve de refúgio para os bichos. Há cinco meses, quase toda vegetação tinha sido consumida pela estiagem. As árvores que escaparam voltam a ser pouso seguro para as aves.
A terceira maior baia do Pantanal ganha volume: 3,27 metros. O ribeirinho quase não acredita no que vê. "A gente, que conhece e vive aqui, falava que essa água não ia chegar, mas graças a Deus está chegando", conta o caseiro Josué de Moura.
Os efeitos da última seca se agravaram com a destruição parcial de uma barragem, que fez a água vazar com rapidez. O que chama a atenção é a grande quantidade de capim que agora começa a soltar as raízes. O problema surgiu após a seca. Até parece que a ave está em um pasto, mas toda área é alagada. O risco é que essa vegetação deixe a vida dos peixes em perigo.
"Quando ele solta, ele começa a entrar em putrefação. E aí é matéria orgânica consumindo oxigênio da água", explica o engenheiro sanitarista Rubem Mauro, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
A ação humana também traz impactos: os aterros impedem que os corixos, pequenos canais de água - se encontrem com a baía. Os peixes que poderiam se desenvolver não conseguem chegar aqui. O resultado é um grande reservatório com pouco pescado. Enquanto isso a natureza se renova por conta própria.
