Dê um clique na foto para ampliar a imagem.
O Levergernews, apresenta aos seus leitores um momento historico da politica de Santo Antônio, a foto da manchete apresenta figuras e lideres políticos de grupos e ideologias diferentes que há vários anos vem se perpetuando ou tentando se perpetuar no poder, na sua opinião o que faz forças antagônicas estarem juntas em alguns momentos e distantes em outros. Veja a foto, reflita e dê seu comentário com serenidade, sem paixão política. Confira também o “ Ponto de Vista” do Produtor Rural em Santo Antônio, Didi Padilha.
Um momento de reflexão: “De Inimigos a Adversários”
Qual a diferença entre inimigo e adversário? Inimigo é aquele que procura nossa destruição ou nossa submissão. Adversário é aquele que, ainda lutando por seus próprios interesses (materiais, emocionais, religiosos, ideológicos, politicos), não tenta nos destruir ou submeter, nem atua em detrimento de nossa realização pessoal. Se bem que existam casos em que essa distinção se torna difusa, há muitos outros em que fica claro quem é o adversário e quem é o inimigo.
Essa diferença entre relações adversariais e relações de inimizade pode se apresentar em quase todas as esferas da vida social, política e econômica. Em matéria política, algumas pessoas, tanto da situação quanto da oposição, partem da concepção de que elas só podem fazer suas idéias e seus projetos crescerem por meio da destruição do adversário, transformado em inimigo. Assim, as potencialidades sociais acabam por ser esterilizadas, já que muitas contribuições não são completadas ou nem sequer chegam a existir, e as energias se desviam das ações construtivas para serem dirigidas ao choque, pois ninguém se entrega sem oferecer resistência.
Uma coisa é a visão de um bolo único e estático que a gente quer para si e para seu grupo, e uma outra coisa é que procuremos, entre todos nós, alargar o espaço do conjunto e compartilhar os resultados obtidos. O primeiro ponto de vista só admite a possibilidade de dar cotoveladas e de crescer esmagando os outros, enquanto a segunda opção implica colaboração, justiça e crescimento social.
O fato de vermos inimigos onde há adversários está ligado aos valores e conceitos que nos guiam. Aquele que valorizar o esforço do próximo, a legitimidade e a capacidade de contribuição da diversidade, e os riscos decorrentes da homogeneização de perspectivas, terá menos motivos para classificar os adversários de inimigos. E se ele por engano o fizer, em algum momento vai reconhecer e reparar o erro.
Nossa primeira reação é sempre a de pensar naquilo que os outros teriam que fazer para deixarem de ser nossos inimigos e se transformarem em adversários legítimos e respeitáveis. Não adianta cairmos nessa armadilha. Primeiro temos de olhar para dentro: quais as coisas que precisamos mudar para atingir o próximo com uma atitude que o convide, que impulsione ou facilite sua própria reflexão e uma mudança de perspectiva com respeito a nós, a nosso grupo, a nossa comunidade?
Há momentos históricos que exigem verdadeiros pontos de inflexão no rumo político de uma sociedade; drásticas mudanças de direção que são necessárias em situações muito especiais, principalmente quando temos atravessado longos períodos sem conseguirmos ajustar o rumo no decorrer dos fatos. No entanto, é negativo que avancemos dando pulos de forma constante, com cortes na trajetória e grandes dirupções. Convém estar alertas e ter determinação para efetuar oportunamente aqueles ajustes que nos permitam resolver sérios problemas, em lugar de adiar ou ignorar essas soluções, fato que só nos levará a represar forças que mais tarde vão transbordar, gerando altos custos e uma permanente descontinuidade de esforços.
O canibalismo político e o sobrepeso de egos e interesses individuais atentam contra os interesses do conjunto social e impedem que nossas necessidades e aspirações sejam atendidas. Ainda que as paixões e as mesquinhezas ganhem força, vale a pena que vamos além dessas torrentes para olhar os outros nos olhos, reconhecer seus medos, assegurar-lhes nosso respeito e encarar com eles a tarefa conjunta de construir a paz e o bem-estar. Será a justiça e a firmeza dos justos, a generosidade e a compaixão que nascem da boa vontade, a criatividade e o talento de cada um, a responsabilidade, a habilidade e a visão de nossos líderes que vai nos permitir construir caminhos de desenvolvimento sustentável, cicatrizar feridas, aproximar os irmãos, abater juntos a desigualdade e a pobreza. Não é uma utopia, e sim um desafio— também haverá oportunidade de refletir sobre os enigmas da vida e do desnorteamento no qual caímos ciclicamente. Ninguém poderá dizer que a nossa agenda é estreita; ela nunca o foi e não o será desde que continuem a surgir anseios à procura de novos e melhores rumos. Tomara que o ano de 2011 nos encontre decididos a continuar essa busca.
Didi Padilha