O juiz Julier Sebastião da Silva, titular da Primeira Vara Federal em Mato Grosso, não poderá mais julgar processos criminais no Estado, função que o projetou como magistrado e que esteve envolta em inúmeras polêmicas ao longo dos anos.
A saída de Julier da área criminal não ocorreu por vontade própria. A Justiça Federal de Mato Grosso decidiu remeter à 5ª Vara da JFMT, recém-criada, tanto os processos da esfera criminal já em trâmite no Estado, como os processos novos com a mesma temática.
Em sessão ocorrida no mês de dezembro de 2010, antes do início do recesso no Judiciário, os desembargadores que compõem o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, instância superior, escolheram, por 9 votos a 2, o juiz federal Paulo César Alves Sodré para ser o responsável pela referida vara e, assim, processar e julgar todos os processos relativos a crimes federais em Mato Grosso.
Por ser até então o responsável natural pelo processamento de feitos criminais em Mato Grosso, Julier Sebastião esperava ser autorizado pelo TRF a estender sua função à nova vara. Mas não conseguiu, sendo preterido pelos desembargadores da Corte.
O juiz federal Paulo Sodré atuava em Rondonópolis (a 218 km ao sul de Cuiabá).
No site institucional da JFMT a mudança administrativa já pode ser notada em um comunicado público: "em virtude da especialização da 5ª Vara em matéria criminal, os autos cíveis serão redistribuídos para outras varas; por essa razão solicitamos a devolução dos autos que se encontram com carga".
Reação de Julier
Nos bastidores comenta-se que a notícia não foi bem digerida pelo juiz, mas, ainda assim, ele evitou fazer críticas e garantiu que não se sente prejudicado pela decisão.
"É um procedimento normal, uma vara foi especializada em matéria criminal e eu continuo na primeira. Portanto, só posso julgar processos cíveis agora", disse o juiz, em entrevista exclusiva ao Mato Grosso Notícias.
"Não foram redistribuídos apenas os processos que estavam em minhas mãos. Todas as pautas criminais da segunda e da terceira Vara de Justiça também passaram para o juiz que assume a 5ª Vara", explicou o magistrado.
Julier se tornou conhecido - elogiado por uns e criticado por outros - por seus julgamentos criminais. Ao passo que proferiu sentenças históricas, como algumas que condenaram o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro à prisão, em outras ocasiões foi acusado de realizar ações "pirotécnicas" para teoricamente se promover politicamente, como no caso das Operações Pacenas e Jurupari.
