O inquérito da Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Administração Pública, da Polícia Civil, aponta que o ex-secretário de Estado de Infraestrutura, Vilceu Marchetti, é peça-chave na investigação do superfaturamento de R$ 44 milhões na compra de maquinários pelo Governo. Para a Defaz, Vilceu é "chefe do bando que surrupiou" dinheiro público em duas licitações.
"Foram dois exercícios financeiros da Polícia Civil Mato-grossense que Vilceu Marchetti e seu bando surrupiaram num só projeto", consta trecho do relatório final, obtido com exclusividade pelo Olhar Direto, Marchetti é tido como o principal articulador junto às empresas que forneceram os caminhões e acusado por ter cobrado vantagem em dinheiro dos empresários.
Trecho do inquérito também revela que o ex-secretário “montou a licitação desde o início, fez contato direto com os empresários e organizou o grupo para cometimento dos crimes”.
Vilceu Marchetti foi indiciado juntamente com outros 11 acusados, sendo dois ex-servidores da Sinfra e nove empresários. Todos acusados por fraude em licitação, corrupção passiva e formação de quadrilha.
O superintendente de Manutenção e Operação de Rodovias da pasta, Valter Antônio Sampaio, teria adulterado documento para “tentar justificar os preços do termo de referência”, conforme relato os delegados fazendários no inquérito policial.
Além disso, é tido como “auxiliar” de Vilceu, tendo participado de todos os atos da licitação e da compra. Já a chefe de gabinete da Sinfra, Suzy Gonçalina Queiroz, também indiciada, servia cegamente ao chefe e teria atuado na lavagem de dinheiro.
“Não atuou nas compras diretamente, mas servia cegamente Vilceu. Sua contribuição é secundária, mas não deixa de ter importância sobretudo na conduta de lavagem de dinheiro”, consta trecho do documento.
O inquérito policial foi finalizado no dia 12 de novembro e é a primeira parte das investigações que foram divididas em três fases. Com os indiciamentos, caberá ao Ministério Público Estadual (MPE) oferecer ou não denúncia contra os envolvidos, o que permitirá à Justiça decidir se instaura ou não processo para julgar o caso.
O segundo inquérito nº 63/2010, foi instaurado para apurar suposta fraude de caminhões e máquinas para formação das patrulhas rodoviárias, na licitação 059/2007. Porém, está em fase adiantada e aguarda relatório da Auditoria do Estado. A terceira fase da investigação vai investigar indícios de lavagem de dinheiro e o inquérito ainda será aberto.
Marchetti deixou as funções no auge do escândalo quando foi citado no relatório da Auditoria Geral do Estado (AGE) como suposto responsável pelas irregularidades detectadas nos pregões nº 87 e 88/2009, realizados pela Sinfra por meio da Central de Licitações da SAD.
O ex-secretário de Estado de Administração, Geraldo de Vitto, também chegou a pedir demissão na ocasião. Conforme já publicado pelo Olhar, um documento preliminar da Delegacia Fazendária e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) do dia 18 de outubro traz o nome de Vitto na relação de investigados.
Porém, o ex-secretário de Administração não foi indiciado no relatório final da polícia. O sobrepreço de R$ 44,4 milhões equivale a 22% pagos a mais pela aquisição das 705 máquinas e caminhões adquiridos pelo programa “MT 100% Equipado”, e distribuídos aos 141 municípios mato-grossenses.
No decorrer das investigações, o empresário Pérsio Briante, da Extra Caminhões, um dos fornecedores de caminhões ao governo de Blairo Maggi (PR), por meio de delação premiada, contou detalhes dos bastidores do "escândalo das máquinas".
No depoimento, o empresário denunciou também que o dinheiro superfaturado seria utilizado na campanha eleitoral. A equipe de reportagem ligou por diversas vezes no celular do ex-secretário Vilceu Marchetti, mas ele não ratendeu as ligações para comentar os assunto.
