MUDANÇA PARA SANTO ANTÔNIO DE LEVERGER

Novo secretário reforça que Júlio Müller foi pactuado com Cuiabá e vê risco em transferência

Juliano Melo afirma que teto federal, referência populacional e PPI da unidade estão vinculados à Capital

Redação: Baixada Cuiabana News | 08/04/2026 - 07:26
Novo secretário reforça que Júlio Müller foi pactuado com Cuiabá e vê risco em transferência

O novo secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo, reforçou a preocupação da pasta com a possibilidade de o novo Hospital Universitário Júlio Müller ficar sob a responsabilidade de Santo Antônio de Leverger. Segundo ele, o entendimento técnico da SES é de que a unidade foi estruturada dentro da lógica assistencial de Cuiabá, tanto do ponto de vista da pactuação no SUS quanto da destinação de recursos de custeio e da população de referência.

“Na época chegamos a nos manifestar no processo informando que a pactuação do Júlio Müller é uma pactuação municipal com Cuiabá, teto federal de recursos de custeio vai para Cuiabá, população e referência é de Cuiabá”, afirmou o secretário.

O impasse em torno da unidade ganhou tração em fevereiro, após a promulgação das Leis nº 13.227/2026 e nº 13.228/2026, de autoria do deputado estadual Wilson Santos (PSD), que redefiniram os limites territoriais e passaram a incluir a área onde o hospital está sendo construído no território de Santo Antônio de Leverger. A mudança abriu uma disputa sobre quem deve responder administrativamente pela futura operação da unidade, além de levantar dúvidas sobre licenças, alvarás, regulação e contratualização dentro do SUS.

A preocupação não é pequena. O novo Júlio Müller está sendo erguido no km 16 da MT-040, em uma área de 147 hectares, com 58,3 mil metros quadrados de construção. A estrutura terá oito blocos, 228 leitos de internação, 68 de repouso e 63 UTIs, incluindo leitos pediátricos e neonatais. Planejada inicialmente para a Copa de 2014, a obra ficou anos paralisada e hoje é tratada como uma das principais entregas da saúde pública em Mato Grosso.

Desde que a mudança de perímetro veio à tona, a Prefeitura de Cuiabá sustenta que a alteração colocou a obra em uma espécie de insegurança administrativa, sob o argumento de que alvarás, licenças e até o contrato de gestão plena da saúde estão vinculados à Capital. Já a reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, chegou a defender que, na falta de consenso entre os municípios, o Estado assuma a responsabilidade pelo hospital, justamente pelo porte da unidade e pelo custo exigido para sua manutenção.

Do outro lado, a prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães (PSB), defende a permanência do hospital no município e argumenta que a região sempre pertenceu historicamente à cidade. Em meio ao cabo de guerra, o presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi (PSB), informou em fevereiro que Santo Antônio teria 15 dias para demonstrar capacidade técnica e administrativa de manter o HUJM em seu território, mas a pauta não avançou e segue sem uma resolução.

Para Juliano Melo, porém, o debate não pode ignorar o desenho já consolidado da rede pública. “Existe toda uma lógica para o SUS onde o hospital só faz sentido neste requisito, atendendo a Baixada Cuiabana, o estado como um todo, mas na gestão municipal Cuiabá. Transferindo para Santo Antônio, nem ele tem noção do tamanho do trabalho que vai embutir ao município, não tem condições de atender e para atender seria um esforço muito grande. Nosso parecer era de que mantivesse com Cuiabá, pactuação PPI está com Cuiabá, que diz quem atende o que”, completou.

  

Fonte: Leiagora.com