O Superintendente do Hospital Universitário Júlio Muller (HUJM), Reinaldo Gaspar, afirmou ter medo de que os embates jurídicos atrapalhem a inauguração e instalação da nova unidade, o que é quase irresponsabilidade. Em uma reunião realizada na Reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na manhã do último dia 13 de fevereiro, foram apresentadas questões acerca de normativas e estrutura necessária para o funcionamento da unidade.
De acordo com Gaspar, o foco ao se pensar em uma solução deve ser na população que irá acessar o serviço. As obras do hospital se iniciaram há quase 14 anos, desde 2012 e a entrega está atrasada há quase 10. A primeira previsão de inauguração era para a Copa de 2014. Os prazos não foram concluídos e uma paralisação na construção ocorreu por sete anos.
Durante todo o processo, a obra sempre esteve instalada dentro do município de Cuiabá. Com a promulgação de duas leis estaduais (Lei nº 13.227/2026 e Lei nº 13.228/2016) os limites de Santo Antônio do Leverger foram alterados e, assim, o HUJM mudou de território, o que gerou questionamentos.
“O nosso medo é que esse impasse jurídico venha a atrapalhar a instalação do maior equipamento de saúde do Estado de Mato Grosso. Isso beira uma certa irresponsabilidade, e precisamos ser responsáveis para que a gente possa equalizar tudo isso”, afirmou Reinaldo Gaspar.
A prefeita Francieli Magalhães (PSB) e a Reitora Marluce Souza e Silva estiveram presentes na reunião daquela sexta-feira. O tópico central foi em apresentar a documentação necessária, bem como questões estruturais e normativas do Ministério da Educação que devem ser cumpridas para o funcionamento do novo hospital.
“Nós fizemos levantamento das demandas e necessidades técnicas para que se mantenha uma condição mínima para podermos levar mais saúde à população. É complexo, muito complexo”, afirmou Gaspar.
O município de Cuiabá realiza repasses anuais de mais de R$ 20 milhões ao HUJM e, com a nova estrutura, o valor deve triplicar. Dessa forma, o município no qual a unidade for alocada deve arcar com esse custo. Todas essas questões foram apresentadas para que Santo Antônio do Leverger analise as condições par funcionamento no local.
“É importante que todos os municípios tenham condições de fazer a gestão de um hospital. É o sonho de todo município, mas este hospital foi planejado para ser um hospital de porte estadual ou maior ainda, como referência de ensino, de pesquisa. Colocá-lo dentro de uma condição é, limitante, pode prejudicar até a população do próprio território” afirmou ele.
O superintendente não se posicionou em favor de um ou outro município, apenas demonstrou seu interesse em que a população seja atendida com o máximo do potencial possível pela estrutura, ou seja, o hospital deve funcionar em um local que tenha a estutura e condições de apoio. Ele defende o diálogo entre as Prefeituras e a Assembleia Legislativa, que criou a nova lei.
“É papel da Assembleia Legislativa juntamente com o município resolver essas questões”, finaliza ele.
A obra das novas instalações é localizadaa no km 16 da MT-040, em uma área de 147 hectares, executada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra), com previsão de entrega, até o momento, em dezembro de 2026.
