CABO DE GUERRA

Não existe lógica, diz secretário de Saúde de MT sobre mudança do Júlio Müller para Leverger Veja Vídeo

Secretário aponta falta de estrutura de município para gerir hospital; alteração causada por lei estadual ainda pode impactar na entrega da obra

Redação: Baixada Cuiabana News | 12/02/2026 - 08:23
Não existe lógica, diz secretário de Saúde de MT sobre mudança do Júlio Müller para Leverger <VIDEO>

O secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, declarou, nesta quarta-feira (11), que a transferência do Hospital Universitário Júlio Müller, de Cuiabá para Santo Antônio do Leverger, “não tem muita lógica”, pois, segundo ele, o segundo município não tem a estrutura necessária para administrar um hospital de tal magnitude.

A alteração ocorreu após uma lei estadual redefinir limites territoriais na região do Morro de Santo Antônio, o que teria levado à transferência do hospital para o município vizinho.

Não estou dizendo que a Prefeitura de São Antônio do Leverger não tenha competência para fazer. Mas existe um trabalho robusto a ser feito e assim está decidido a nível de estruturação do SUS [Sistema Único de Saúde], no país. É por isso que os municípios de gestão plena têm  atribuições para seguir. [Mas] quem tem que responder se o Hospital Júlio Müller é melhor em Santo Antônio ou Cuiabá, quem tem que fazer isso, são os gestores dos dois municípios”, declara o secretário.

Gilberto declarou ainda que foi consultado por um deputado da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) sobre a transferência e que a Secretaria de Estado de Saúde (SES) emitiu um parecer contrário. 

“Como gestão plena, hoje, por exemplo, quem faz a contratualização com o Estado é o município de Cuiabá. Então, no nosso entendimento, não há muita coerência nessa decisão, mas nós já pontuamos isso oficialmente através do pleito que foi feito e eu encaminhei um parecer formal da Secretaria”, aponta.

O secretário disse ainda que o possível ganho a partir da produção do hospital pode ser inferior ao custo adicional que o Município de Santo Antônio do Leverger precisará para assegurar a gestão plena.  “Para conseguir fazer aquilo que é preconizado no SUS, como pactuações, terá que fazer investimento maciço em pessoal. Ele tem que ter central de regulação. Ele vai ser contratualizado com esse hospital. Esse é um hospital de referência estadual (...) e o município, não sei se está ciente, mas ele precisa ter uma capacidade administrativa muito mais robusta para fazer isso”, explica Gilberto. 

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), se mostrou contrário à lei estadual de autoria do deputado Wilson Santos (PSD) - que redefiniu limites territoriais na região do Morro de Santo Antônio, levando à mudança do hospital universitário, antes cuiabano, para o município vizinho. Para Abilio, a mudança no traçado territorial é inconstitucional e pode causar transtornos. Abilio chegou a dizer ainda que seria mais sensato a ALMT apresentar um projeto de lei revogando a lei estadual, pois, segundo o prefeito, a mudança pode gerar entraves administrativos e atrasar a entrega do hospital, prevista para este ano.

O morro era dividido, era metade pra Santo Antônio do Leverger, metade pra nós. Agora eles têm o morro todo, mas eles foram espertinhos e fizeram um desenho que pegava o Hospital Júlio Müller pra eles. Se for do interesse do Governo do Estado que seja o Hospital Júlio Müller de Santo Antônio do Leverger, pra mim, tudo bem. Tudo bem. Porque vai atender a população do mesmo jeito. Só que as responsabilidades em infraestrutura, abastecimento e tudo mais são do município de lá”, disse.

Nessa terça-feira (10), Abilio esteve na ALMT, onde se reuniu com o presidente da Casa de Leis, deputado Max Russi (PSB), e os deputados Wilson Santos (PSD) e Carlos Avalone (PSDB), cuja principal solicitação foi o peido de revogação da transferência do Júlio Müller e a manutenção da unidade em território cuiabano. A expectativa das lideranças políticas e institucionais é chegar a um consenso até o fim do mês, evitando impactos na conclusão da obra e no início do funcionamento da unidade hospitalar. 

Fonte: RDnews