NO OLHO DO FURACÃO

Santo-antoniense é um dos delatados por sócio da JBS

Redação: Redação - Leverger News | 29/05/2017 - 00:00
Santo-antoniense é um dos delatados por sócio da JBS

Assista Rodrigo Figueiredo pedindo votos em Mato Grosso para a candidata a Dilma     

 

 

      Rodrigo Figueiredo, filho do ex-deputado federal, Milton Figueiredo (já falecido), entrou no olho do furacão das denúncias que envolvem o presidente, Michel Temer, e as delações de Joesley Batista, sócio da holding J&F, holding que controla a JBS

     O nome de Rodrigo Figueiredo veio à tona, após as gravações das delações dos sócios-proprietários da holding se tornarem públicas pela Procuradoria Geral da República.

Apesar de sua origem familiar ligada a Santo Antônio, Rodrigo Figueiredo, desde a sua adolescência reside em Brasília, pra onde se mudou junto com os pais.

Mesmo assim, todos os anos durante suas férias, sempre que era possível, Rodrigo Figueiredo passava algum período em Santo Antônio, por muitos anos a família manteve uma residência de férias localizada no bairro Lixá na rua Coronel Palmiro Paes de Barros, cidade de Leverger.

Pavimentação Asfáltica entre Santo Antônio e Varginha

Foi através de uma Emenda Parlamentar intermediada por Rodrigo Figueiredo e empresários da construção civil matogrossense, junto a Bancada Federal de Mato Grosso em Brasília-DF, que a então administração do prefeito, Faustino Dias, recebeu recursos financeiros que possibilitaram a pavimentação asfáltica entre a cidade de Santo Antônio e sede do distrito de Varginha. A obra foi construída e inaugurada entre os anos de 2005 e 2006.

Além de já ter ocupado diversos cargos importantes em Brasília, entre eles o de ministro interino de Cidades em 2008, no governo do presidente, Lula, Rodrigo Figueiredo é advogado, fez carreira no serviço público federal, depois de um início no Banco do Brasil. Exerceu funções na Presidência da República, nos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e do Departamento do Açúcar e do Álcool. Além disso, foi membro de conselhos, como da Conab, Ceasa e Embrapa. Rodrigo Figueiredo foi recentemente nomeado coordenador do Comitê Funcional de Acompanhamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no Ministério das Cidades.

Entre agosto de 2013, Figueiredo foi empossado como secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Antes ele chefiava a Secretaria de Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Cuiabá (MT), que era administrada por Mauro Mendes (PSB). O delatado também ocupou um cargo no gabinete do senador Blairo Maggi (PR-MT)

Leia mais sobre a delação

Em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista, sócio da holding J&F, holding que controla a JBS, revelou que atuou diversas vezes com o ex-deputado Eduardo Cunha e o seu operador, Lúcio Funaro, em um esquema de corrupção montado no Ministério da Agricultura para favorecer suas empresas e reverter em propinas pagas ao político e seu braço-direito. Joesley diz que os dois intermediaram em 2013 a nomeação do matogrossense Rodrigo Figueiredo para o cargo de secretário de Defesa Agropecuária do Ministério (SDA), departamento responsável pela sanidade agropecuária no país e onde são obtidas as licenças obrigatórias para que as empresas de alimentos atuem tanto no mercado, tanto interno quanto externo.

Figueiredo era ligado a Toninho Andrade, ministro da Agricultura à época e, pelos relatos de Joesley, assinou vários “atos de ofício” que favoreciam a J&F e ainda rendeu propinas no valor total de R$ 7 milhões a Funaro e Cunha. O matogrossense ocupou cargos de destaque durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando chegou a ser ministro das Cidades, e de Dilma Roussef (PT).

O empresário conta que esse montante de propinas foi especificamente pago pela J&F em contrapartida pela edição de dois atos normativos pela SDA do Ministério da Agricultura: um permitiu a regulamentação das exportações de despojos (partes de animais), caso que ficou polêmico na época e foi bastante criticado por pequenos e médios frigoríficos; e o outro revogou uma portaria ministerial que proibia o uso de um vermífugo de longa duração e assim reestabelecia o uso de vermífugos de prazo curto, “o que evitava dificuldades fitossanitárias na exportação de carnes”.

A questão dos despojos, segundo Joesley, na verdade, foi o único pleito da J&F que Cunha e Funaro conseguiram emplacar no sentido da “federalização da inspeção animal”.

O depoente [Joesley] acabou por solicitar a Lúcio Funaro que conseguisse a federalização do sistema de inspeção animal no Brasil tendo em vista que o caráter federativo [por Estado e município] desse sistema – em que o porte da operação do frigorífico determina se estará sujeito à inspeção federal ou à estadual ou à municipal – cria graves distorções concorrenciais em desfavor das empresas maiores, além de graves riscos à saúde pública”, diz um termo de delação do empresário.

Esse assunto, inclusive, motivou uma discussão acalorada entre Joesley e Cunha no gabinete do então ministro da Agricultura, Toninho Andrade. O ministro precisou apartar a briga para evitar “confrontação física”, pois Cunha se exaltou dizendo que o empresário “apresentava demanda inviáveis e que isso complicaria as coisas para ele [Joesley], insinuando que a dificuldade dessas demandas impedia a obtenção de propinas”.

As propinas eram sempre depositadas numa conta-corrente de Funaro e repartidas com Cunha, segundo Joesley. Mas, curiosamente, uma vez, o empresário revela ter transferido um helicóptero seu, apelidado de “Augusta”, para Funaro, a título de pagamento de propina.

LOTEADO

Joesley contou em sua delação premiada que o Ministério da Agricultura é totalmente “loteado” por políticos, que mantêm poder sobre cargos na pasta. Mas sinalizou que o fato de o ministério não ser comandado por um só grupo político, e sim por vários, desestimulava os interesses de seu grupo empresarial no órgão. “O Ministério da Agricultura é muito loteado, cada ‘postozinho’ é um deputado que indicou, um senador que indicou. Então não tem um aparelhamento organizado, como a gente está vendo na Carne Fraca, no Paraná, tem um secretário da regional com um grupo que domina”, disse Joesley. “Lá é tudo loteado, uma confusão, então não tinha nada para fazer lá”, contou.

 

 

Fonte: Valor Econômico/Folhamax