O prefeito afastado pela Câmara Municipal de Santo Antônio de Leverger, Valdir Ribeiro (PT), conseguiu uma liminar da Justiça e permanecerá no cargo. Ele nem chegou a se ausentar, pois desde a última terça (13), estava fugindo do tabelião para não ser notificado da decisão do Legislativo.
Deu certo estratégia de ganhar tempo até que o mandado de segurança fosse julgado. O tabelião da cidade já havia tentado localizar o gestor por duas vezes sem sucesso. Depois da terceira tentativa fracassada já se cogitava notificá-lo por meio do Diário Oficial da Associação Matogrossense dos Municípios (AMM) para que o vice-prefeito Valdirzinho do Posto (PDT) tomasse posse.
Essa não foi primeira vez que políticos fugiram de oficiais de Justiça até reverter cassações e afastamentos. O então prefeito de Barão de Melgaço em 2009, Marcelo Ribeiro (PP), fugiu da cidade em uma ambulância, inclusive com sirene ligada, para não ser notificado da cassação do seu mandato pela Justiça Eleitoral.
O mesmo ocorreu com a esposa dele, a ex-deputada Chica Nunes (PSDB) quando ela teve o mandato cassado pelo TRE por compra de votos. O ex-presidente da Câmara de Cuiabá, Lutero Ponce (PMDB), também “sumiu do mapa” após ter a prisão decretada pela Justiça por conta do episódio do rombo de R$ 7,5 milhões gestão dele. Lutero só apareceu após a Justiça deferir Habeas Corpus para garantir sua liberdade.
O presidente do Legislativo levergense, vereador Wagner Belmiro (PSD), garante que os munícipes estão apoiando a decisão da Câmara de investigar os gastos da prefeitura. O social-democrata até promete abrir espaço para três representantes das entidades civis organizadas na Comissão Investigatória. Ele conta que na manhã de hoje esteve em uma rádio local para dar entrevista e por duas horas populares participaram do programa e exigiram saber para onde está indo o dinheiro público.
Belmiro lembra que o prefeito Valdir foi eleito com uma votação histórica e destaca que ele não está correspondendo a confiança que lhe foi depositada, pois não tem dado transparência na gestão dos recursos públicos. “Estivemos no Banco do Brasil e vimos o extrato da conta do município, vimos que dinheiro entrou, mas não sabemos ponde foi parar”, frisou. Além da falta de transparência, o vereador informa que há mais denúncias aflorando contra o prefeito, dentre elas a falta de médicos e remédios nas unidades de saúde e a duplicidade de cobrança nas contas de água.
A Câmara já convocou o secretário de saneamento Romildo Magalhães para comparecer no dia 3 de setembro para prestar esclarecimentos. Caso ignore a solicitação, os vereadores prometem instalar a CPI da Água.
