O deputado federal Valtenir Pereira (PSB) teve suas contas de campanha pagas pela empresa Ideia Digital. A confirmação foi dada pela Agência AS&M Publicidade e Marketing à Polícia Federal. A revelação é do jornal Diário de Cuiabá em sua edição desta quarta-feira, que cita que a confirmação do pagamento foi feito em resposta a uma carta precatória enviada pela Polícia Federal da Paraíba.
Segundo o jornal, a Ideia Digital pagou R$ 235 mil em despesas não declaradas da campanha do deputado federal Valtenir Pereira. A agência, em que pese a negativa do parlamentar, confirmou o pagamento.
Segundo a reportagem a Polícia Federal chegou ao nome do parlamentar mato-grossense em envolvimento com corrupção ao investigar fraudes na instalação do projeto Jampa Digital, uma rede que pretendia conectar órgãos municipais e oferecer internet gratuita em praças públicas de João Pessoa, na Paraíba. O projeto nunca funcionou direito. Nesta investigação a Polícia Federal concluiu que cerca R$ 1,6 milhão – dos R$ 20 milhões investidos na rede - teriam sido desviados para campanhas eleitorais na Paraíba.
O nome de Valtenir Pereira aparece no decorrer do inquérito, segundo a PF, “em atos de corrupção não conexos com a investigação”. O deputado teria sido beneficiado em em um projeto de inclusão digital em Sinop, implantado com recursos federais.
Mas a confirmação foi elucidada mesmo durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na sede da Ideia Digital. Lá os policiais encontraram documentos indicando que a empresa pagou despesas de campanha de Valtenir. Os pagamentos não foram declarados à Justiça Eleitoral. Entre os papeis havia notas fiscais emitidas em favor da Ideia Digital por três empresas cuiabanas: uma gráfica, uma produtora de vídeo e a AS&M Publicidade e Marketing.
A nota fiscal em favor da AS&M, no valor de R$ 50 mil, tinha como referência a “criação de campanha publicitária, assessoria de imprensa e consultoria de marketing”. Duas notas fiscais da Casarão Vídeo totalizavam R$ R$ 85 mil, por “serviços de vídeo empresarial e comercial”. Foi encontrada ainda uma nota da Gráfica Print, mais uma vez em favor da Ideia Digital, tendo como referência a “produção de folderes e revistas”. Totalizava R$ 100 mil.
O que chamou a atenção da PF foi o fato de que as três empresas cuiabanas que emitiram notas para a Ideia Digital – com sede em Salvador (BA) - foram as mesmas que prestaram serviço à campanha do então candidato Valtenir Pereira.
Na prestação de contas da campanha de Valtenir em 2010, consta que seu comitê fez pagamentos para estas três empresas. Para a Casarão Vídeo, foram R$ 30 mil divididos em dois cheques. O comitê de campanha também pagou R$ 60 mil para a AS&M em cheques. Para a Gráfica Print, foram cinco cheques totalizando R$ 126.788, conforme o site do Tribunal Superior Eleitoral.
Notificada, a AS&M confirmou à Polícia Federal que o serviço descrito na nota fiscal era relativo à criação de material para a campanha de Valtenir e que o pagamento foi realizado pela Ideia Digital através de transferência bancária.
Para firmar a convicção do envolvimento do deputado, a PF ainda relacionou o material colhido na quebra do sigilo do e-mail dos sócios da Ideia, identificados como Paulo Tarso e Mário Lago. Em uma das conversas captadas, eles falam sobre realizar uma reunião com uma pessoa identificada como “Valtenir” para discutir os locais para aplicação dos recursos da emenda. A PF conclui que o Valtenir em questão é o parlamentar mato-grossense.
