O prefeito de Santo Antônio de Leverger, Harrisson Ribeiro (PSDB), conseguiu suspender, por meio de uma liminar expedida pelo desembargador José Tadeu Cury, a sessão especial da Câmara Municipal de Santo Antonio do Leverger (28 quilômetros de Cuiabá), que seria realizada na noite de hoje, terça-feira (13 de março),para julgamento das contas anuais referentes ao exercício de 2009.
O prefeito tucano vem tentando de todas as formas evitar o julgamento de suas contas, já reprovadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), uma vez que pode se tornar um “ficha suja” caso a Câmara Municipal decida manter o parecer desfavorável do pleno do TCE e, com isso, ser impedido de disputar a reeleição este ano. As contas em questão referem-se ao período em que Harrisson Ribeiro comandou interinamente o município, em 2009, quando o prefeito Faustino Dias Neto foi afastado por decisão judicial e ele (Harrisson) era presidente da Câmara Municipal.
Um dos motivos que levaram à reprovação das contas pelo TCE foi o não cumprimento do limite constitucional de investimento na Educação, estabelecido em 25%. Harrisson, na época, deixou de apresentar sua prestação de contas em separado das contas de Faustino Dias Neto e ainda se recusou a apresentar uma defesa prévia alegando que não poderia ser responsabilizado “por uma coisa que eu não fiz”, deixando claro que os investimentos já haviam sido realizados quando ele assumiu o comando do município.
Desde 2008, Santo Antonio do Leverger vive uma crise política sem precedentes, já que a prefeita Glorinha Garcia e depois Faustino Dias Neto foram cassados e o TRE determinou a realização de uma eleição suplementar, quando Harrisson Ribeiro foi eleito. Nessa confusão, três prefeitos se revezaram na administração da cidade em períodos distintos. Além de Faustino e Harrison, o presidente da Câmara, Ugo Padilha (DEM), também esteve à frente do Executivo municipal.
Poucos vereadores estavam na cidade na manhã desta terça-feira. Harrisson estava em Cuiabá, tentando manter liminar que impede a realização da sessão noturna, outros na zona rural e o presidente da Câmara Municipal, Ugo Padilha também não estava na cidade e seu celular estava na caixa postal. Somente o vereador Dito Lucas falou a respeito da situação e disse que a judicialização das contas municipais não é a melhor saída para o problema.
“Nós temos que tomar providências. Estamos terminando o mandato de vereador e ainda não votamos sequer as contas de 2009. O prefeito alega que não tem culpa e que não a rescisória ainda não foi avaliada pelo TCE, porém, não é esse o parecer da Procuradoria de Contas. Eu acho que o desembargador José Tadeu Cury foi enganado pelo prefeito e por isso concedeu a liminar suspendendo a sessão de hoje à noite. Não tenho dúvida de que as contas estão prontas para serem votadas e que cada um aja de acordo com sua consciência, o que não podemos é ficar nesse jogo-de-empurra, protelando a decisão indefinidamente”, disse Dito Lucas.
