Causou reação imediata em algumas lideranças políticas e representantes do setor produtivo de Santo Antonio do Leverger, a decisão do prefeito de Cuiabá, Chico Galindo (PTB), de colocar uma placa com a logomarca do governo da Capital, anunciando a criação da subprefeitura do recém criado distrito de Nova Esperança (Pequizeiro), aprovado pela Câmara de Vereadores de Cuiabá no ano passado e para a qual já existe até orçamento para o exercício fiscal de 2012.
O entendimento é de que Galindo está “forçando a barra”, querendo ele próprio estabelecer um marco divisório entre a capital e Santo Antonio para “grilar” uma parte do território santo-antoniense, principalmente no entorno da área onde será construído o novo Hospital Júlio Muller, não levando em consideração as linhas demarcatórias estabelecidas e os mapas existentes há mais de um século.
“O que está acontecendo é um absurdo e se nós não nos levantarmos agora contra esse abuso vamos perder parte do nosso território para Cuiabá e abrir um grande precedente para outros municípios, como Livramento, Barão de Melgaço, Campo Verde e até mesmo Rondonópolis que querem fazer a mesma coisa, fatiar o município e reduzir drasticamente sua área de abrangência”, argumenta o líder do Partido da República (PR) Celso Nogueira, que defende a criação de uma comissão de defesa dos interesses de Santo Antonio para cobrar das autoridades estaduais a manutenção da autonomia do município sobre sua própria área.
Com base econômica firmada essencialmente na zona rural, de onde provêm 71% do total de impostos que a prefeitura arrecada, Celso Nogueira entende que haverá comprometimento na arrecadação de tributos caso a perca essa área para Cuiabá.
“Nosso município não é industrializado e tampouco possui um comércio forte o suficiente para se manter economicamente, daí, se começarmos a perder parte do nosso território da forma que estão querendo fazer, Santo Antonio do Leverger vai parar no tempo definitivamente, sem condições de atender as necessidades básicas da população”, diz ele.
A preocupação dessas lideranças é de que amanhã ou depois o mesmo acabe ocorrendo ao longo da BR-163, que divide Cuiabá e Santo Antonio. “Ao longo da margem direita da rodovia, no sentido a Rondonópolis, a área é de Santo Antonio, ainda assim, alguns classificam o Instituto Federal de Educação (antiga Escola Técnica) e as Águas Quentes como sendo de Cuiabá, e não é. Então, se aceitarmos essa imposição agora, amanhã podemos perder também outras áreas de terra importantes para nosso município”, completa Nogueira.
Já o empresário Sérgio Potrich entende que as autoridades do município estão demonstrando fraqueza para enfrentar a situação. “É preciso se impor. Ninguém pode chegar na casa dos outros e ir se apossando das coisas. Sei que a disputa territorial é muito antiga, mas, existem mapas, cartas cartográficas e documentos de registros de terra onde estão estabelecidos os limites do nosso município, não é o prefeito de Cuiabá quem tem que decidir se é aqui ou ali e ir colocando placa.
Se for preciso um novo estudo, que se faça, mas que haja a participação da Comissão de Terras da Assembleia Legislativa e de técnicos do governo credenciados para esses estudos. Daí, dependendo do resultado, que a população seja convocada para também opinar por meio de audiência públicas. Não se pode fazer as coisas à toque de caixa, de ofício, na base da canetada, afinal, o interesse é de toda a população de Santo Antonio e não de meia dúzia de assessores do prefeito Chico Galindo”, afirma Potrich.
