O Conselho Superior do Ministério Público Estadual (MPE) está reunido na manhã desta segunda-feira (7) para discutir os desdobramentos do suposto esquema de superfaturamento de R$ 44 milhões. O dinheiro desviado foi utilizado na compra de 705 máquinas e caminhões do Programa “Mato Grosso 100% Equipado”, o caso ficou conhecido como “Escândalo dos Maquinários”.
A reunião foi convocada em caráter de urgência após os ex-secretários de Estado de Infraestrutura, Vilceu Marchetti, e de Administração, Geraldo De Vitto Júnior, tornarem-se réus na ação por improbidade administrativa movida pelo MPE. A decisão foi proferida pelo juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior, da Vara Especializada de Ação Civil Pública e Ação Popular.
Apesar de o escândalo ter ocorrido no governo do atual senador Blairo Maggi (PR), um parecer do procurador de Justiça Hélio Friedolino livrou Maggi de ser atingido pelas denúncias de corrupção. O empresário Pérsio Briante, da empresa Extra Caminhões, também não consta na ação civil pública que investiga o caso.
Além dos dois secretários, também figuram como réus quatro empresas: Dymac Maquinas Rodoviárias Ltda., Cotril Máquinas e Equipamentos Ltda., Tork Sul Comércio de Peças e Máquinas Ltda. e Tecnoeste Máquinas e Equipamentos Ltda.
Envolvendo a alta cúpula do ex-governador Maggi, o Escândalo dos Maquinários tem caminhado a passos lentos, como quase todos os processos contra "colarinhos brancos" no Brasil. Embora as investigações tenham sido iniciadas em maio de 2010, o parecer do juiz Luís Aparecido Bertolucci Júnior foi proferido somente em 17 de outubro deste ano, um ano e meio após a descoberta do superfaturamento.
Os indícios de lavagem dinheiro foram apontados pela própria Auditoria Geral do Estado (AGE) em relatórios. As máquinas e caminhões foram comprados através de financiamento de R$ 241 milhões obtidos com Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e distribuídos aos 141 municípios do Estado.
