As grandes civilizações sempre se desenvolveram nas margens dos rios. Foi devido aos rios que várias cidades cresceram e prosperaram. Assim foi com a população egípcia, romana e babilônica. E assim foi também com a população do município de Santo de Santo Antonio do Leverger, que tem seu nascimento relacionado o Rio Cuiabá. Foi nas margens do rio que leva o nome da Capital de Mato Grosso que o índice populacional de Leverger cresceu nos séculos passados e é nas águas do Rio Cuiabá que a pesca se torna um dos pilares da economia municipal.
Mas nas últimas semanas, os moradores ribeirinhos de Santo Antônio do Leverger constataram que ao contrário dos anos anteriores, em que morar próximo ao Rio Cuiabá era sinônimo de tranqüilidade e bem estar, residir próximo ao leito do rio passou a ser prejudicial. Quem garante é Ronildo Magalhães, que juntamente com outros moradores ribeirinhos, foi notificado recentemente pelo Ministério Público (MP).
A notificação, que causa revolta e indignação aos habitantes mais antigos, esses obviamente residem à beira do Rio Cuiabá, avisa que não pode haver nenhuma construção a 100 metros das margens do rio. “Leverger é uma cidade centenária. Assim como Cuiabá, e mais precisamente o bairro Porto, cresceu as margens do rio. Não tem sentido o Ministério Público vir aqui e notificar os moradores que estão aqui há décadas e avisar que nenhuma construção pode estar de pé se estiver a uma distancia inferior a 100 metros da margem”, comenta Ronildo Magalhães, representante dos moradores de Leverger.
De acordo com os moradores notificados, a ação do MP é para atender a ONG Instituto Ação Verde, que é uma organização não-governamental sem fins lucrativos que trata de questões relativas ao meio ambiente. “O que nos suspeitamos é que a ONG está usando a notificação do Ministério Público para nos oferecer os serviços de engenharia ambiental, já que em algumas propriedades deverão ser feitas algumas adequações, que exigem a elaboração de projetos ambientais que custam dinheiro e conseqüentemente o serviço de um engenheiro ambiental para tal serviço”, reclama Magalhães.
ONG se defende e diz que ribeirinhos não entenderam intenção do MP
Procurada para falar sobre os reclames dos moradores de Santo Antonio do Leverger, a ONG Instituto Ação Verde rechaçou as declarações feitas pelos ribeirinhos e explicou que a intenção é apenas recuperar as margens do Rio Cuiabá. Segundo a engenheira ambiental Ariane Bez Birolo, a ONG oferece aos moradores de Leverger o serviço gratuito de engenharia ambiental, caso futuramente alguma propriedade precise passar por adequações. “Houve um mal entendido. Nossa intenção é recuperar a mata ciliar do Rio Cuiabá, e jamais retirar ou destruir alguma construção que já está construída nas margens do rio. O máximo que pode acontecer por exemplo é orientar o ribeirinho mudar de lugar o galinheiro ou o gado que fica a beira do rio”, tranqüiliza a engenheira ambiental.
Ainda de acordo com a representante do Instituto Ação Verde, como a organização não-governamental oferece gratuitamente o serviço de engenharia ambiental, não há necessidade do órgão ter interesse econômico na elaboração de projetos ambientais para o ribeirinhos de Leverger. “É importante deixar claro que somos parceiros dos moradores. Estamos nesse processo de recuperação ambiental para orientar e ajudar os ribeirinhos” finaliza Ariane Birolo.
