A reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) encaminhou à prefeita de Santo Antônio de Leverger, Francieli Magalhães (PSB), um questionário técnico para saber se o município tem capacidade de assumir uma contrapartida anual estimada em mais de R$ 75 milhões para viabilizar o funcionamento do novo Hospital Universitário Júlio Müller.
A informação foi revelada pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), autor da lei que alterou os limites territoriais entre Cuiabá e Leverger, incorporando a área onde está sendo construída a unidade hospitalar ao território do município vizinho.
Segundo o deputado, ele próprio levou representantes da prefeitura até a reitoria da UFMT para uma reunião que durou mais de três horas. Ao final, a prefeita recebeu um “caderno de encargos” com questionamentos exclusivamente técnicos e prazo de 15 dias para resposta.
Foi entregue um caderno de encargos para que a prefeita responda questionamentos exclusivamente técnicos. Foi dado prazo de 15 dias. Santo Antônio está respondendo tecnicamente aos questionamentos da UFMT”, afirmou.
Wilson destacou que o Júlio Müller é um hospital federal, de “porta fechada”, voltado para atendimentos de alta e altíssima complexidade e que continuará sob gestão da UFMT, independentemente de estar em Cuiabá ou Leverger. “O hospital pertence à União. Ele não será administrado por nenhuma prefeitura. Ele continuará sendo administrado pela Universidade Federal de Mato Grosso”, declarou.
Apesar disso, explicou que o Ministério da Educação exige que a unidade seja contratualizada com o município onde estiver instalada, o que implica obrigações financeiras e administrativas.
Comparativo com Cuiabá
O deputado fez um paralelo com a realidade atual da capital. Segundo ele, a Prefeitura de Cuiabá repassa aproximadamente R$ 24 milhões por ano de contrapartida para um hospital com 96 leitos. O novo Júlio Müller terá quase 300 leitos. Mantida a proporcionalidade, o município responsável pela contratualização poderá ter de aportar cerca de R$ 75 milhões anuais. “Financeiro. Cuiabá hoje oferta aproximadamente R$ 24 milhões por ano para um hospital de 96 leitos.
O hospital vai para quase 300 leitos. Mantendo essa proporcionalidade, o município que contratualizar vai ter que fazer uma contrapartida de aproximadamente R$ 75 milhões por ano”, pontuou. Além dos recursos financeiros, há a exigência de cessão de servidores. Atualmente, mais de 100 profissionais cedidos pela Prefeitura de Cuiabá atuam na unidade.
Impasse após mudança de divisa
A cobrança ocorre em meio ao impasse gerado pela alteração dos limites territoriais entre Cuiabá e Santo Antônio de Leverger. A mudança incorporou a área do hospital ao território levergense, provocando reação do prefeito da capital, Abilio Brunini (PL), que alertou para possíveis entraves burocráticos e risco de atraso na entrega da obra. Wilson, por sua vez, defende que a situação pode ser revista. Ele afirmou que Cuiabá aceita rediscutir a divisa que corta o Morro de Santo Antônio e que trabalha para uma solução negociada envolvendo as duas prefeituras, o Intermat e a Assembleia Legislativa.
