Eleições 2010

MORADOR DA BOCAINA RENUNCIA A PRÉ-CANDIDATURA

Redação: Redação | 03/05/2010 - 00:00
MORADOR DA BOCAINA RENUNCIA A PRÉ-CANDIDATURA

 

Confira a íntegra do Artigo do ex-secretário de cultura do Estado Antônio Carlos Vicente Ferreira, no texto ele mostra as causas que o levaram a desistir da sua pré-candidatura a deputado estadual nas eleições próximas de outubro.

 

Por quase quatro anos estive à frente da Secretaria de Estado de Cultura, com a prerrogativa de não ter sido indicado politicamente por ninguém, minhas qualificações técnicas me credenciaram para isto.

Entendi que o conhecimento adquirido neste período deveria ser colocado à disposição da sociedade, pleiteando uma vaga no Parlamento Estadual.

Considero-me um homem preparado para buscar os meios para que a cultura de Mato Grosso ocupe o lugar de destaque que merece, por parte do Estado e dos municípios, como fator imprescindível de diminuição da criminalidade e de contenção do avanço do consumo de drogas entre nossos jovens, promovendo a inclusão social.

Ao longo do período dedicado à causa pública, aprendi o suficiente para compreender que a economia da cultura não é enxergada pela classe política como elemento de desenvolvimento social.

Não compreendem os nossos políticos, tanto no Legislativo quanto no Executivo e aí digo de vereador à senador, de prefeito à presidente da República, a importância que têm as ações culturais quando são colocadas em benefício da nação brasileira. Temos carência, necessidade de leis objetivas que contemplem constitucionalmente a área da cultura, tal como ocorre com a Educação, que detém 25% de orçamentos municipal, estadual e federal.

As circunstancias do processo eleitoral são complexas, rasteiras e esbarram sempre na questão financeira, como é o meu caso. Não é o peso político e técnico do candidato que define o resultado da eleição, e sim o dinheiro investido na campanha. Este fator determina a queda de qualificação dos parlamentares.

Arrecadação de campanha como contribuição é pura conversa. Puro engodo. É um equívoco. As empresas e partidos políticos não contribuem, apenas investem. O pato quem paga é o povo. E é um pato bem gordo e caro. A ausência de transparência no financiamento e apoio em campanhas políticas é o principal alimento da corrupção no processo eleitoral.

Quanto ganha por mês um deputado estadual para trabalhar em favor do povo deste Estado? R$12.384,07 é o valor bruto, sem descontos. O restante de verba de gabinete é para ser gasto com funcionalismo e infraestrutura necessárias para o bom funcionamento e desempenho do gabinete e de seu deputado.

Logo, vamos ver que um deputado não ganha nos quatro anos de mandato, somados, nada além de R$ 500 mil, livres de obrigações sociais e incluindo-se aí o décimo terceiro salário.

Eu deveria ser candidato a deputado estadual, mas depois de reflexões e muitos senões e nãos, resolvi que não serei nem ao menos pré-candidato. Aos amigos e conhecedores do meu trabalho devo uma satisfação pública por ter externado este desejo.

Por isso, me reporto às pessoas que acreditaram que poderia ser possível a minha eleição. Não por achar que não vale a pena, pois seria importante termos a oportunidade de trabalhar as leis necessárias a mudar o cenário deste Mato Grosso político que olha a área da cultura pela fresta da janela.

Viajei por algumas cidades neste Estado e vi a necessidade de mudanças no atual quadro legislativo. O "povo" quer. Mas será difícil isso ocorrer. A reeleição de um número significativo dos atuais parlamentares é esperada, por vários motivos, primeiro por terem a chamada "bala na agulha" e segundo por terem feito uma base política a partir das fatídicas emendas parlamentares e recursos conseguidos através de Secretarias de Estado que os credenciam a conseguir bons resultados nas urnas.

Quanto aos nomes que poderão integrar o quadro dos 24 deputados, os partidos políticos já tem um desenho de quantos serão e quanto irão investir em seus preferidos e apaniguados. É pagar prá ver, literalmente.

JOÃO CARLOS VICENTE FERREIRA é escritor e ex-secretário de Cultura do Estado de Mato Grosso. 

Fonte: Reportagem com Midianews