A decisão da senadora Serys Marly (PT) - tão logo foi derrotada nas prévias do partido pelo presidente Carlos Abicalil que será o candidato ao Senado - de anunciar apoio a candidatura de Mauro Mendes (PSB), surpreendeu até mesmo membros do seu grupo político e do seu partido já atordoados pelo fato da mesma não ter seu nome aprovado como candidata a reeleição.
O estranho da decisão intempestiva da petista, menos de 24 horas após a divulgação oficial dos resultados das prévias, segundo se comenta nos bastidores, é que contaria com o apoio e a influência do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot que sempre foi amigo de Mauro Mendes que deixou o PR e migrou para o PSB.
A decisão de Pagot seria uma retaliação ao governo de Silval Barbosa (PMDB), por não ter conseguido emplacar como secretário de infraestrutura, no lugar de Vilceu Marchetti, o engenheiro Newton de Britto, seu atual assessor no Dnit e ex-secretário adjunto quando o próprio Pagot ocupava a Secretaria de Infraestrutura de Mato Grosso, no primeiro mandato de Blairo Maggi.
Pessoas muito próximas de Pagot negaram qualquer ação neste sentido e reafirmaram o compromisso do mesmo com a campanha do governador Silval Barbosa, só que outras pessoas muito próximas do diretor-geral do Dnit, como Mauro Carvalho, Paulo Leão e a filha Francielle Leão que foi indicada por Pagot para ser secretária-adjunta de Cultura, estariam trabalhando nos bastidores da campanha de Mauro Mendes, o que reforçaria a tese de que ele mesmo, Pagot, estaria defendendo a candidatura do socialista.
Serys se aproximou de Pagot quando o mesmo foi indicado pelo então governador Blairo Maggi (PR) para ocupar a direção do Dnit, prontamente acatado pelo presidente Lula, só que diante da necessidade de aprovação do nome de Pagot pelo Senado e da resistência do PSDB, principalmente do senador Mário Couto (PA) foram perdidos mais de dois meses de intensa disputa política até que o seu nome fosse aprovado num trabalho árduo dos senadores Jaime Campos, Serys Marly e do falecido Jonas Pinheiro.
