E fez-se o caos. Foi um verdadeiro festival de incompetência. Erros grosseiros, falta de informação, confusão generalizada, desrespeito aos concorrentes.
O que se viu, ontem, durante a (não) realização do concurso público estadual, foi um triste espetáculo de desorganização por parte dos responsáveis diretos pelo "evento". Nome aos bois: o secretário de Estado de Administração, Geraldo De Vitto; e o reitor da Unemat, Taisir Karim.
Apesar de todas as falhas, o secretário De Vitto vem afirmando, candidamente e em público, que tudo não passou de um "evento isolado".
Vejamos, secretário, apenas alguns dos "eventos isolados": provas com lacres violados; mudança de local de provas sem aviso aos candidatos; candidatos sem sala para fazer a prova; candidatos com sala, mas sem receber a prova; candidatos que disputavam uma vaga de delegado e receberam provas destinadas a vagas de escrivão; candidatos com comprovante de pagamento do concurso, com nome na lista, mas impedidos de fazer a prova. E por aí vai.
De Vitto acha que não faltou organização e logística. "Não faltou estrutura. Foi apenas uma infelicidade em relação à distribuição das provas". Infelicidade???
Não obstante a clara incompetência demonstrada em todo o processo, o secretário De Vitto, publicamente, insiste em minimizar o estrago e a não admitir os erros: "Tomamos essa decisão difícil para evitar uma discussão sobre a lisura e a transparência. Mas foi um evento isolado, pois 90% disso tudo aconteceu em um só local", afirmou. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis, Tangará... Um só local.
Sobre os candidatos que vieram de outros Estados, e gastaram um bom dinheiro com passagens, hospedagem e transporte local, por exemplo, De Vito afirmou hoje, a um telejornal local: "Quem se sentir lesado pode procurar a Justiça. Se o candidato tivesse feito a prova e não passado no concurso também perderia [o investimento]". Nobre resposta, secretário...
Outra resposta pitoresca: aos cidadãos que pagaram a inscrição e foram impedidos de entrar em sala para fazer a prova, De Vitto culpou a greve dos bancos, ocorrida recentemente. "Estávamos avisando há mais de quinze dias sobre isso, que era preciso pegar o boleto, ir até a Secretaria de Administração e comprovar o pagamento. Houve um problema de compensação dos bancos por causa da greve". Perfeito, secretário. E quem mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, teria que vir até a secretaria?
Em entrevista ontem, De Vitto procurou, logo, responsabilizar a Unemat pelas falhas. "Houve acompanhamento total do governo do Estado nesse processo, mas os erros foram da Unemat, na hora de distribuir as provas; foi um problema de logística da própria Unemat", afirmou, ressaltando que o prejuízo será "pago" pela própria Unemat, que "tem arrecadação própria". Não, secretário. O cidadão pagará a conta. Inclusive grande parte dos que foram lesados pelo lamentável episódio.
Diante de tudo o que se falou e mostrou sobre o fiasco do "maior concurso público do Brasil", o governador Blairo Maggi poderia tomar uma "atitude isolada": demitir o secretário de Administração Geraldo De Vitto.
Não seria nada pessoal, nenhuma "infelicidade". Apenas uma satisfação aos milhares de brasileiros que estudaram por meses a fio, se locomoveram milhares de quilômetros, economizaram dinheiro para custear as despesas - e se alegraram com a esperança de serem aprovados num concurso público, conquistando a tão sonhada estabilidade funcional e financeira.
A demissão de De Vitto seria apenas um pedido formal de desculpas do governo aos milhares de cidadãos que se sentiram ofendidos, desrespeitados e indignados com tamanha negligência e desleixo. Nada pessoal, secretário, apenas uma "sugestão isolada".
