QUADRINHOS

Rondon, misturado com Turma da Mônica, causa revolta em MT

Redação: Redação - Leverger News | 14/05/2016 - 00:00
Rondon, misturado com Turma da Mônica, causa revolta em MT

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A decisão sabe-se, é anterior, mas a repercussão não-positiva se dá agora quando do anúncio da liberação da primeira parcela para o rico, milionário Estúdios Maurício de Sousa (Instituo Cultural Maurício de Sousa) de nada mais nada menos de R$ 266,2 mil (um quarto de um milhão de reais!) para a produção do livro “As Aventuras de Rondon”, contadas com participação da “Turma da Mônica”, justamente neste momento em que o Governo de Mato Grosso vem a público dizer que não tem recursos para pagar, neste mês de maio, a recomposição salarial de seus servidores, conforme as determinações legais. 

O primeiro a reagir, de forma contundente - e daí ficamos sabendo da ardilosa liberação – foi o escritor, poeta, cronista, advogado, polemista e acadêmico Eduardo Mahon, ex-presidente da Academia Mato-grossense de Letras (AML), que emitiu uma nota de lamento contra a “a decisão da Secretaria de Estado de Cultura (SEC) em priorizar autores e editoras absolutamente alheias à produção mato-grossense sobre um dos mais nobres mato-grossenses que foi Cândido Mariano da Silva Rondon”.

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Mahon lembra que, no ano passado, ainda como presidente da AML, foi feito uma trabalho para “conscientizar o poder público da necessidade de incluir na grade curricular o ensino de história, geografia e literatura mato-grossense. Infelizmente, mesmo com a anuência do atual governador Pedro Taques (PSDB) à Carta Aberta da Casa Barão de Melgaço, até hoje nossas escolas não ensinam o prometido, e não há material encomendado nesse sentido”. 

Mahon destaca ainda que foram feitas diversas “reuniões com a SEC, com a SEDUC, enfim, nada de concreto em favor dos nossos jovens. Enquanto fazemos (IHGMT, AML, Sociedade Amigos de Rondon) um esforço pessoal e profissional no campo da pesquisa histórica, na conservação da memória, no levantamento da produção científica, um Maurício de Souza recolhe uma verba pública de R$ 750 mil que seria essencial para o fomento autoral e editorial do Estado”. 

Eduardo Mahon lembra ainda que o nosso Estado, velho e querido Mato Grosso (Mahon é carioca, cuiabano e mato-grossense adotivo), “há artistas que falam a nossa linguagem e poderiam traduzir aos alunos da rede pública quem foi Cândido Mariano da Silva Rondon”. Como exemplo, cita o artista, arquiteto Moacir de Freitas. Eu aqui, na minha mania de interferir em conversa alheia, cito Wander Antunes, criador da revista “Vôte” e que recentemente recebeu o prêmio HQ Mix, concedido pela Associação Brasileira de Cartunistas, e ainda Gabriel de Matos, enfim os quadrinistas locais – Generino, Ric Milk, entre muitos, alguns dos quais ainda não devidamente valorizados até mesmo pela mídia regional - quando mais por esta secretaria de Cultura que, aparentemente, planeja, na área dos quadrinhos, de costas voltadas para a terra de Rondon. 

O jornalista e também mato-grossense de adoção há mais de 40 anos Onofre Ribeiro, falando da contratação do EMS disse que “em princípio, não aprecio a ideia porque imagino que, em Mato Grosso, haja quem conheça Rondon em profundidade. E há. Nos meios acadêmicos e fora dele. Mauricio de Souza, certamente, não vai inventar nada. Vai se basear no que já existe escrito, produzido e filmado sobre o Marechal Rondon. Se o propósito for usar o tema em mídia nacional, pode ser. Mas, na essência, não aprecio a contratação de Maurício. Por exemplo: os cineastas Joel Leão e Rodrigo Piovesan fizeram filmes extraordinários. Portanto, não aprecio esse velho complexo de que vida inteligente só existe fora de Mato Grosso”. 

O escritor, poeta, ensaísta, membro da AML, Sebastião Carlos Gomes de Carvalho também considera a contratação de Maurício de Sousa “um desrespeito aos mato-grossenses”. “Não porque será o Mauricio de Souza a realizar o trabalho, uma figura das mais conhecidas e tradicionais nesse campo. Mas por que, primeiro, tal opção deveria antes ter sido discutida amplamente com toda a comunidade; segundo: temos aqui redatores, ilustradores e gráficas em condições de qualidade - nas três áreas - para produzir uma obra que engradeça não só a trajetória de Rondon como igualmente demonstre a inteligência e a seriedade de seus co-estaduanos da atualidade. Fico decepcionado com o Secretário de Cultura”, declara. 

A SEC, por meio da sua assessoria de imprensa, manifestou afirmando que a secretaria “ao longo das celebrações dos 150 anos de nascimento de Marechal Rondon, promoveu diversas ações de promoção e preservação do valioso legado deste ilustre mato-grossense”. 

“Tendo como referência o trabalho ‘Um por todos e todos por um’, desenvolvido pela Controladoria Geral da União (CGU) em parceria com o Instituto Mauricio de Sousa, a SEC construiu, com este mesmo Instituto, uma parceria tendo como base a experiência em desenvolvimento de conteúdo para professores e alunos e aplicação em sala de aula”. 

“Essa parceria com o IMS irá levar o nome de Rondon mais longe e de forma mais rápida, contando sua história, a importância dele para Mato Grosso e para as comunicações do país. Essa escolha é também uma forma de engrandecer o nome de Rondon e mostrar sua magnitude, entrando para o rol de personagens de um cartunista ímpar que é Maurício de Sousa”. 

Segundo a SEC, “o Instituto Mauricio de Sousa investirá aproximadamente R$ 500 mil para a produção deste conteúdo, enquanto o Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, investirá R$ 266 mil. A título de referência comparativa, para desenvolver o material mencionado, a CGU investiu mais de R$ 500 mil, tendo igualmente significativa contrapartida do IMS. 

 

 

 

Fonte: Diário de Cuiaba