INCLUSÃO LITERÁRIA

Papai Noel pantaneiro distribui conhecimento a crianças de Porto de Fora

Redação: Redação | 18/10/2014 - 00:00
Papai Noel pantaneiro distribui conhecimento a crianças de Porto de Fora

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A velha caminhonete atravessa as estradas de terra de Mato Grosso, baixa de tão pesada. Na direção, um homem que acredita que conhecimentos e ideias valem mais do que dinheiro. Na caçamba, um monte de livros, de todos os gostos, de todos os tipos.

É a Inclusão Literária, levando e espalhando livros pelo interior do Estado. Este conhecimento, antes represado nas estantes de Cuiabá, agora pega a estrada para chegar às pequenas cidades vizinhas e suas zonas rurais, sem custo algum para aqueles que se interessam pela leitura.

Clovis Matos era gerente de marketing de uma rede de livrarias de Cuiabá, quando resolveu criar um espaço de leitura na loja, para os clientes. Com o tempo, percebeu que as pessoas frequentavam o local e liam livros inteiros, mas não compravam. Intrigado, começou a perguntar por que não compravam os livros. "É caro, a gente não tem dinheiro para comprar", era a resposta mais frequente.

“Daí eu pensei: se as pessoas que vão ao shopping, e têm acesso à livraria, não podem comprar porque não têm dinheiro, imagina quem está na zona rural e na periferia”, explica. “O Inclusão Literária surgiu como uma proposta de facilitar o acesso ao livro às pessoas que não tinham”, conta.

Já faz nove anos que Clovis começou a distribuir livros nos arredores de Cuiabá. Além da biblioteca itinerante na Furiosa, como foi batizado seu veículo, Clovis também monta bibliotecas nos locais que visita. Uma bolsa grande, como aquelas que vemos frequentemente nas bancas de jornal acomodando revistas, está pregada na parede de postos de gasolina, restaurantes e lanchonetes dos municípios da região.

Lá, quem se interessa pela leitura pode escolher um livro e levar para casa, à vontade, para devolver quando quiser. Não há bibliotecários ou cadastros. Mas, bom mesmo é quando trazem algo novo, para fazer circular o conhecimento.

“Nesse tempo todo eu cheguei à seguinte conclusão: há pessoas que vão roubar os livros, mas isso é porque vão ler. Ninguém rouba livro para jogar fora. Então eu não importo. Mas, se levar e trouxer de volta é melhor, porque outras pessoas vão poder usar também. A leitura é o princípio básico da cidadania”, sonha Clovis, enquanto recomenda: “Leiam tudo, até bula de remédio, mas não deixem de ler”.

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PAPAI NOEL, LITERALMENTE
Sua barba e cabelo brancos contrastam com todo o cenário por onde passa, como o giz ao riscar o quadro negro. Em uma de suas viagens, com um largo sorriso, Clovis desce de seu carro, pega uma caixa no porta-malas e foi até um grupo de crianças que atravessavam a rua em frente ao posto de gasolina, na comunidade de Porto de Fora, em Santo Antonio de Leverger.

“Olha o papai noel”, disse um menino que vestia um conjunto de roupas surradas e trazia em seu rosto um sorriso inocente. O ‘bom velhinho’ tirou um punhado de livros de sua caixa, e começou a distribuí-los às crianças, que logo se juntaram, animados com os presentes. Não era noite de Natal. Era 8 horas de uma manhã comum, de um sábado qualquer de fevereiro.
Divulgação
Seu trenó é uma velha caminhonete e o saco de presentes é um amontado de livros. A barba, o cabelo e o sorriso fácil lembram o bom velhinho, além do seu jeito com as crianças.

Clovis Matos é um técnico administrativo da Universidade Federal de Mato Grosso e realmente se veste de papai noel, nos finais de ano. Durante o ano, além de trabalhar na universidade, enche a caminhonete de livros e sai para distribuir livros nas cidades vizinhas de Cuiabá e em comunidades rurais.

Mantém o projeto Inclusão Literária, por conta própria, e aceita apenas a doação de livros. Às vezes organiza um bazar, vende alguns exemplares em vizinhanças mais afortunados de Cuiabá para levantar recursos e continuar com o projeto. Mesmo nesses momentos podem-se encontrar, em um cantinho, os livros que serão dados.

“Por enquanto estou apenas em volta de Cuiabá, mas pretendo ir mais longe. A minha intenção é que as pessoas tenham livro na mão. Faço essas ações no interior, mas às vezes também faço no shopping. Não me importa a posição social das pessoas, o que importa é que elas tenham acesso aos livros e leiam”.

Quer ajudar este projeto? Ligue para (65) 8135-1176 ou (65) 8135-1176, envie um e-mail para clovismatos@hotmail.com ou mensagem pelo Facebook. 

Fonte: Hipernotícias