VENDA DE SENTENÇAS

Polícia apreende armas e Rolex nas casas de Faissal Calil e de desembargador afastado

Ação autorizada pelo STJ investiga esquema de corrupção e lavagem de dinheiro; materiais bélicos e relógio de grife foram encontrados nas residências dos envolvidos

Redação: Baixada Cuiabana News | 08/06/2026 - 10:20
Polícia apreende armas e Rolex nas casas de Faissal Calil e de desembargador afastado

Um arsenal composto por armas de grosso calibre, pistolas, revólveres e munições foi apreendido pela Polícia Federal na manhã desta segunda-feira (8), em Cuiabá, durante buscas na Operação Gemini. O armamento foi localizado nas residências do deputado estadual Faissal Calil (PL), do desembargador afastado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Dirceu dos Santos, e de um advogado. A ação, autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), investiga um suposto esquema de venda de decisões judiciais e lavagem de dinheiro no Judiciário mato-grossense.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes federais registraram em fotos e vídeos a localização de fuzis com lunetas, revólveres sendo manuseados por policiais e diversas caixas de munição. Além do material bélico, a PF também recolheu itens de alto luxo, incluindo canetas de grife e um relógio da marca Rolex, avaliado em mais de R$ 100 mil. Até o momento, a Polícia Federal não detalhou a quem pertencia cada arma apreendida nem se os equipamentos possuem registro legal.

A Operação Gemini é um desdobramento da Operação Sisamnes e foca na comercialização de sentenças e na ocultação de recursos ilícitos. As investigações apontam que o desembargador Dirceu dos Santos utilizaria uma rede formada por um parlamentar e um advogado para movimentar vantagens indevidas e ocultar patrimônio. Dirceu já estava afastado de suas funções por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) devido a uma variação patrimonial de R$ 14,6 milhões, considerada incompatível com seus rendimentos.

O inquérito destaca a relação entre Faissal Calil e o magistrado, uma vez que o deputado atuou no gabinete de Dirceu no TJMT entre 2017 e 2018. Outro ponto central da investigação é a aquisição conjunta de um apartamento de R$ 1 milhão no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá, por meio de permuta, imóvel que não consta na declaração de bens entregue pelo parlamentar à Justiça Eleitoral.

Os envolvidos poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. As defesas e os órgãos oficiais citados ainda não se manifestaram sobre as apreensões.

  

Fonte: hipernotícias