A discussão sobre a criação do CIDE, o Corredor de Integração do Desenvolvimento Econômico, abriu uma nova perspectiva para Santo Antônio de Leverger e para toda a Baixada Cuiabana. Em reunião realizada nesta segunda-feira, na sede da Associação Comercial e Industrial de Cuiabá, empresários, lideranças políticas e representantes do setor produtivo debateram a implantação de um terminal industrial ferroviário no município, projeto que nasce impulsionado pelos avanços da Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo, considerada uma das obras mais estratégicas da atualidade para Mato Grosso.
Durante o encontro, que reuniu empresários, deputados estaduais e representantes de entidades econômicas, a prefeita afirmou que o município está lançando a “pedra fundamental” de um novo ciclo econômico para a Baixada Cuiabana. Ela destacou que a chegada da ferrovia cria uma oportunidade histórica para municípios que, durante décadas, ficaram distantes dos grandes investimentos industriais do Estado.
Segundo Franciele, a intenção é construir uma zona industrial estruturada ao longo do corredor ferroviário, aproveitando a capacidade logística da ferrovia para escoamento de grãos, insumos, combustíveis e produtos industrializados. A prefeita afirmou ainda que o município busca apoio político e financeiro do Governo de Mato Grosso para viabilizar os estudos técnicos, os levantamentos de custos e a definição da área onde o projeto poderá ser implantado.
O presidente da Câmara, Rafael Lima, Izaías Junior (Sec. de Governo), e Francisco Vuolo, da diretoria do CIDEA Ferrovia Senador Vuolo, que avança rumo à região metropolitana, é considerada peça-chave dentro da nova matriz logística de Mato Grosso. O modal ferroviário promete reduzir custos de transporte, aumentar a competitividade da produção estadual e desafogar as rodovias, especialmente em regiões que dependem exclusivamente do transporte por caminhões. Economistas avaliam que municípios cortados pelos trilhos tendem a registrar valorização imobiliária, aumento de investimentos privados e crescimento industrial acelerado.
No caso de Santo Antônio de Leverger, o impacto pode ser ainda maior devido à localização estratégica do município, vizinho de Cuiabá e próximo de importantes corredores rodoviários e áreas agrícolas. A cidade, historicamente conhecida pelo turismo, pela cultura e pelas tradições às margens do Rio Cuiabá, pode agora assumir protagonismo econômico dentro de uma nova configuração logística da Baixada Cuiabana.
Durante a entrevista concedida no evento, Franciele afirmou que o município precisa romper a dependência econômica do setor público. Segundo ela, atualmente a prefeitura ainda representa a principal força empregadora da cidade, realidade que limita o crescimento econômico local e dificulta a criação de oportunidades para a população.
Segundo ela, a criação de indústrias ao longo do corredor ferroviário permitirá que municípios como Santo Antônio de Leverger deixem de depender exclusivamente da máquina pública e passem a ter uma economia mais dinâmica, com circulação de renda, fortalecimento do comércio e expansão urbana planejada.
Se concretizado, o terminal industrial ferroviário poderá representar a maior virada econômica da história recente de Santo Antônio de Leverger, transformando um município tradicional da Baixada Cuiabana em uma nova porta de desenvolvimento, emprego e integração logística de Mato Grosso.

