O governo federal oficializou a ampliação de duas importantes Unidades de Conservação (UCs) em Mato Grosso, localizadas nos municípios de Poconé e Cáceres. O anúncio, feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a COP15 em Campo Grande (MS), garante um acréscimo de 104,2 mil hectares de proteção direta ao bioma pantaneiro no estado.
As medidas focam na preservação do "pulso de inundação", fenômeno essencial para a sobrevivência da fauna e flora da região. A gestão das áreas segue sob responsabilidade do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Taiamã
A Estação Ecológica do Taiamã foi criada pelo Decreto nº 86.061, de 2 de junho de 1981.
Ela abrange o município de Cáceres, no Mato Grosso, a 220 quilômetros da capital Cuiabá. Com a ampliação, a área total da estação vai passar de 11,5 mil para 68,5 mil hectares.
Segundo informações do ICMBio, Taiamã é uma ilha fluvial delimitada pelo Rio Paraguai e constituída principalmente por campo inundável, com uma variedade grande de ambientes aquáticos - como lagoas permanentes, temporárias, lagoas de meandro e corixos.
O nome da estação tem origem na gaivota pescadora Taiamã, também conhecida como Trinta-réis (Phaetusa simplex).
A UC permite a sobrevivência e a reprodução da fauna ictiológica (conjunto de peixes), de diversos representantes da avifauna (conjunto de aves), além de espécies vegetais, que vão desde ervas até árvores de grande porte.
Em 2021, pesquisadores descobriram uma comunidade de onças que pescam peixes e jacarés para se alimentar. O hábito é diferente de outros felinos da espécie, que se alimentam de mamíferos terrestres.
A ampliação da estação ecológica era uma demanda antiga de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), que a defenderam em consulta pública realizada pelo ICMBio no fim do ano passado.
“Pesquisas científicas demonstram que a área atual não é suficiente para proteger adequadamente a população de onças-pintadas e as 131 espécies de peixes identificadas”, ressalta o professor da Unemat, biólogo, doutor em Ecologia e Recursos Naturais, Claumir Cesar Muniz.
“A ampliação garantirá território suficiente para manter a viabilidade genética da onça e proteger os berçários naturais de peixes”, explicou o professor da Unemat.
“Para além desses serviços, é importante também destacar que maior área conservada significa mais sequestro de carbono, regulação climática e purificação da água, beneficiando diretamente a qualidade de vida humana”, destacou o professor e pesquisador Ernandes Sobreira.
Parque Nacional do Pantanal
O Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (PNPM) foi criado pelo Decreto nº 86.392, de 24 de setembro de 1981.
Ele abrange o município de Poconé, no Mato Grosso, a cerca de 100 quilômetros da capital. Com a ampliação, a área total do parque vai passar de 135,9 mil para 183,1 mil hectares.
Os limites do parque incluem o Rio Paraguai, ao sul e a oeste; o Rio Caracará Grande, a noroeste; o Rio São Lourenço, a sudeste; o Rio Caracarazinho, a leste, e zona de inundação periódica, de influência dos rios Alegre e Caracarazinho, ao norte.
Também tem uma ligação com a Área Natural de Manejo Integrado San Matias, localizada na Bolívia.
O parque é considerado de alta inundação, por períodos de até oito meses. Além da água do Rio Paraguai, recebe água do São Lourenço, por transbordamentos do leito durante as cheias.
O ICMbio divulgou uma lista de espécies ameaçadas, que são protegidas nessa UC.
Entre elas, estão o Gato-maracajá, o Tamanduá-bandeira, a Onça-pintada, Jacu-de-barriga-castanha, Tatu-canastra, Ariranha, Caboclinho-do-sertão, Estilete e Cervo-do-pantanal. ( Com informações da Agência Brasil)
