EM SANTO ANTÔNIO DE LEVERGER

Investigação revela treinamento armado de facção em área indígena

Investigação aponta que criminosos ensinavam sobrevivência na selva e táticas de guerrilha

Redação: Baixada Cuiabana News | 14/03/2026 - 14:24
Investigação revela treinamento armado de facção em área indígena

A Polícia Civil identificou um suposto centro de treinamento usado por integrantes de facção criminosa em uma área indígena localizada em Santo Antônio de Leverger, a 34 km de Cuiabá. No local, segundo as investigações, membros do grupo estariam sendo preparados para sobrevivência na selva e táticas de guerrilha, inclusive com uso de armamento pesado.

A descoberta ocorreu durante a Operação Argos, deflagrada na manhã desta sexta-feira (13.03). Ao todo, foram cumpridos quatro mandados de busca e apreensão relacionados ao caso.

A investigação é conduzida pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis e começou após denúncias de que integrantes de uma facção criminosa estariam utilizando a Aldeia Tereza Cristina (Korogedo Paru), às margens do Rio São Lourenço, como base para atividades ligadas ao tráfico de drogas.

De acordo com a apuração, um suspeito conhecido pelo apelido de “Pescador”, casado com uma indígena, seria responsável por receber carregamentos de drogas transportados pelo Rio São Lourenço. O material seria levado até uma residência localizada dentro da área indígena, porém afastada da aldeia.

Outro investigado, identificado pelos apelidos “Corola” ou “Fininho”, seria o responsável por distribuir os entorpecentes para traficantes em Rondonópolis, utilizando rotas fluviais pelo Rio Vermelho e também transporte por terra pela MT-270.

Treinamento armado na mata

Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou que os dois suspeitos estariam oferecendo treinamentos clandestinos a integrantes da facção.

Segundo a apuração policial, os cursos incluíam técnicas de sobrevivência na selva, manuseio e manutenção de armas de fogo e prática de tiros. Os treinamentos, conforme a investigação, seriam realizados com armamentos de uso restrito, como fuzis calibre .556 e .762, pistolas .40 e .9mm, além de metralhadora e arma de fogo calibre .30 com tripé.

Nos cursos, os dois instrutores eram conhecidos pelos codinomes “01” e “02”. Durante as aulas, os participantes aprenderiam a montar e desmontar armas, realizar disparos em diferentes distâncias e técnicas para se esconder na mata em caso de confronto ou fuga após ataques contra forças de segurança ou facções rivais.

Relatos sobre a existência desse tipo de treinamento começaram a surgir em diversas delegacias do Estado, após prisões de integrantes de facções. Segundo os depoimentos, alguns suspeitos afirmavam ter participado de um curso de sobrevivência e manejo de armamento realizado em área indígena.

Transporte por rio para evitar barulho

Ainda conforme a investigação, o suspeito identificado como “02” seria responsável por transportar os participantes em uma embarcação até áreas mais isoladas da mata, às margens do Rio Vermelho, onde ocorriam os disparos.

O grupo subiria o Rio São Lourenço por alguns quilômetros antes de iniciar os treinos, com o objetivo de evitar que moradores da comunidade indígena ouvissem os tiros.

Durante o cumprimento dos mandados nesta sexta-feira (13.03), os policiais apreenderam duas armas de fogo — uma espingarda calibre .22 e outra espingarda calibre .20 — além de dezenas de munições de diversos calibres.

As investigações continuam para identificar outros envolvidos e esclarecer a estrutura do suposto esquema.

 

Fonte: VG Noticias / SBT Comunidade