GORJETA, PERFÍDIA E RESCALDO

Vereador é alvo de 3 operações num ano e não pode pisar na Câmara

Instituto é suspeito de "lavar" emenda e dar propina a Chico 2000

Redação: Baixada Cuiabana News | 27/01/2026 - 08:06
Vereador é alvo de 3 operações num ano e não pode pisar na Câmara

Foi identificado como o vereador Chico 2000 (PL), ex-presidente da Câmara de Cuiabá, o principal alvo da "Operação Gorjeta", deflagrada na manhã desta terça-feira (27) pela Polícia Civil. Ele, que foi afastado do cargo, é investigado em um esquema criminoso de desvio de emendas parlamentares no município de Cuiabá, especialmente a Câmara de Vereadores e a Secretaria Municipal de Esportes.

O esquema central teria acontecido na realização da Corrida do Lesgislativo. Um instituto e a Chirolli Uniformes teriam sido utilizados para desvio dos cofres públicos. Chico foi eleito vereador pela primeira vez no pleito de 2008 e dá lá para cá foi reeleito outras quatro vezes, somando cinco mandatos consecutivos.

O parlamentar foi alvo em abril do ano passado da Operação Perfídia, da Polícia Civil, que investiga um suposto esquema de propina de R$ 250 mil que teria sido recebida pelo vereador Sargento Joelson (PSB), com sua "anuência", pois na condição de presidente da Câmara Municipal, ele teria conhecimento e nada teria feito para impedir a negociata entre Joelson e a empresa HB20 Construções. Segundo a Polícia Civil, a empreiteira responsável pelas obras do Contorno Leste teria pago R$ 250 mil em vantagens ilícitas ao Sargento Joelson em troca de facilidades para aprovação de um projeto que permitiu ao Executivo parcelar dívidas tributárias.

 Ele ficou 125 dias afastado por decisão judicial e retornou em setembro do ano passado. Além disso, ele também já foi alvo da Polícia Federal por tentar comprar votos de eleitores de colegas de partido, durante as eleições de 2024.

Chico 2000 foi alvo em junho da Operação Rescaldo, que tinha como objetivo combater a prática de crimes supostamente praticados durante o pleito eleitoral de 2024 pelo vereador. A investigação teve início após apresentação de uma notícia crime, feita pelo deputado estadual Faissal Calil (PL), irmão da vereadora Paula Calil (PL), presidente da Câmara, que apontava que o parlamentar teria abordado eleitores apoiadores de um outro candidato do PL e oferecido vantagens indevidas para obtenção de voto.

ESQUEMA COM INSTITUTO

As investigações, conduzidas pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), apuram as práticas dos crimes de peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro, envolvendo o vereador, servidores públicos, um instituto sem fins lucrativos, empresas e um empresário. Os elementos apurados apontaram que o grupo se associou com a finalidade de direcionar emendas parlamentares a um instituto e uma empresa, e o recurso era parcialmente “devolvido” ao vereador responsável pela destinação da emenda. As ordens judiciais foram expedidas pelo Juízo do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias de Cuiabá.

Dentre elas estão 12 mandados de busca e apreensão e 12 ordens de acesso de dados armazenados em dispositivos móveis. Também foram expedidas ordens de suspensão do exercício da função pública contra dois servidores da Câmara Municipal de Cuiabá e do vereador, para o qual houve a determinação de afastamento do mandato parlamentar. Ainda dentro da operação, foram fixadas três medidas cautelares diversas da prisão contra seis investigados.

As principais delas são as proibições de manterem contato entre si e com testemunhas; de acessarem todos os prédios e dependências da Câmara Municipal de Vereadores de Cuiabá e da Secretaria Municipal de Esportes de Cuiabá; e de deixarem a Comarca, além de ser ordenada a entrega dos passaportes pelos investigados. Como parte da decisão judicial, o Poder Executivo e o Poder Legislativo de Cuiabá também estão proibidos de contratar ou nomear quaisquer dos alvos investigados na operação.

Foi determinado ainda o bloqueio inicial de R$ 676.042,32 das contas bancárias de nove pessoas físicas e jurídicas, além do sequestro de sete veículos, uma motocicleta, uma embarcação, um reboque e quatro imóveis. Dentre as ordens judiciais há também a determinação da suspensão das atividades do instituto investigado e de realização de auditorias pela Controladoria-Geral de Cuiabá em todos os Termos de Parceria firmados pelo órgão investigado com o Município. 

Fonte: Folhamax