Desde minhas primeiras incursões no debate eleitoral, seja como filiado atuante ou vereador combativo em Cuiabá e deputado estadual, mantenho uma trajetória pautada pela coerência e pela fidelidade aos princípios do meu campo político.
A constância que marcou a minha trajetória não é, no entanto, sinônimo de imobilismo, mas a base sólida que permite ações concretas e decisões ponderadas, mesmo em cenários complexos. É a partir desse alicerce que construo minha atuação pública, acreditando que a política deve ser exercida com convicção, mas também com responsabilidade institucional e respeito aos adversários.
Um exemplo claro dessa postura ocorreu durante as eleições municipais de Cuiabá. Após um processo de reflexão e debate com o meu grupo político, fui o único secretário de Estado a manifestar apoio público à candidatura de Lúdio Cabral (PT) na disputa para prefeito. Esse episódio demonstra que a lealdade ao que acredito pode e deve coexistir com a autonomia de pensamento e o apoio a projetos alinhados com as necessidades da população, desde que pautado pelo diálogo e pela transparência com as lideranças de minha base.
Paralelamente, tenho cultivado e colhido os frutos de uma excelente relação com o governo federal. O trabalho próximo com a ministra Luciana Santos, da Ciência, Tecnologia e Inovação, e com o vice-presidente Geraldo Alckmin, tem sido fundamental. Essa conexão produtiva, que transcende barreiras partidárias estaduais, viabilizou uma verdadeira transformação na Secretaria que conduzo. A ampliação concreta de escolas técnicas e a criação de milhares de vagas em cursos profissionalizantes são resultados tangíveis desse esforço conjunto, que tem como foco exclusivo o desenvolvimento do Estado e a geração de oportunidades.
Essa capacidade de atuar em múltiplas frentes só é possível porque construí, ao longo dos anos, relações de confiança e respeito em todas as regiões e espectros políticos. Sempre priorizei o diálogo com todos, compreendendo que a construção de um projeto de Estado é mais relevante do que as disputas ideológicas menores. Minha trajetória é a prova de que é possível e necessário conversar com todos os que estejam dispostos a discutir propostas.
Compreendo perfeitamente que as picuinhas entre extremos muitas vezes dominam o noticiário, mas meu compromisso sempre foi outro: debater e buscar soluções para os problemas reais da população. A polarização estéril, que trata o adversário como inimigo, empobrece o debate público e paralisa a máquina estatal. Rejeito essa lógica porque ela não entrega escolas, nem empregos, nem qualificação profissional e qualidade de vida.
Nosso objetivo, portanto, é fazer a grande política, aquela que pensa no futuro, planeja obras estruturantes e investe em educação transformadora. Rejeitamos a política das pequenas relações, do toma-lá-dá-cá e do fisiologismo vazio. Quem nos critica por dialogar com todos, muitas vezes, desconhece o verdadeiro desafio que é manter esse canal permanente de conversa, preservando o respeito mútuo e conquistando a credibilidade de todos os lados.
Esta, para mim, é a essência mais nobre da política: a capacidade de construir pontes sem abrir mão de suas convicções, de governar para todos sem clientelismos, e de transformar o diálogo em ferramenta poderosa de execução de obras e políticas públicas que mudam para melhor a vida das pessoas. É um caminho complexo, mas insubstituível para quem almeja fazer uma gestão efetiva e legítima.
Professor Allan Kardec, secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação
