Josana Salles / A Gazeta
Inaugurada há 3 anos na comunidade de Barranco Alto, em Santo Antônio do Leverger (34 km ao sul de Cuiabá), a pequena indústria de beneficiamento e transformação de produtos originados de cana-de-açúcar nunca chegou a funcionar, prejudicando mais de 350 famílias da região que investiram no plantio da cana para a produção de rapaduras.
A fábrica sempre foi um sonho da comunidade, que há mais de um século tem a pesca e a produção de rapadura como meios de sobrevivência.
Em 2007, quando foi inaugurada pela Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs), em parceria com o Governo Federal, a cooperativa BarranCop reuniu seus membros, cerca de 22 pessoas, e organizou um grande plantio comunitário de cana-de-açúcar para ser beneficiado na indústria. "Investimos e acabamos perdendo boa parte da safra porque os equipamentos não funcionaram direito. Hoje temos uma dívida de R$ 3 mil que acaba prejudicando todos. Estamos inadimplentes no banco", conta o presidente da Associação de Moradores da comunidade, Jacson de Arruda.
Adilson Lúcio da Costa, 27, e Moacir Luís da Costa, 22, pertencem à Barrancop e chegaram a passar por um treinamento para operar a indústria mas contam que os equipamentos não chegaram a funcionar direito. "Depois esteve aqui um técnico verificando a indústria. Ele nos disse que estava tudo errado. A caldeira não funcionava na temperatura certa e os tachos e outros equipamentos deveriam ser de inox. Tudo é de zinco e está enferrujado. A tubulação também foi feita errada. Está tudo irregular", conta Adilson.
Mesmo assim os moradores de Barranco Alto ainda têm esperanças de que um dia a pequena indústria atenda a comunidade, ampliando a produção de 4 engenhos que ainda funcionam na comunidade de forma artesanal. "Barranco Alto já teve mais de 10 engenhos, todo mundo aqui sempre viveu da pesca e da venda de rapaduras. Tínhamos como sobreviver, ninguém passava fome e os engenhos funcionavam. Quando se falou em ter uma pequena indústria, todo mundo investiu no plantio. Perdemos tudo. A gente procura manter a fábrica limpa para ver se um dia ela começa a funcionar, mas os equipamentos estragaram", relata o representante da comunidade, Jacson de Arruda.
A indústria é parte do Projeto de Agregação de Valor à Produção através da Agroindustrialização. A proposta inicial anunciada pelo Governo do Estado era de dar melhoria às condições socioeconômicas das famílias da Baixada Cuiabana. A agroindústria de Barranco Alto, segundo a Setecs, deveria absorver toda a produção de cana dos pequenos agricultores de Santo Antônio do Leverger.
Retrato - Numa extensão de 30 km de margem do rio Cuiabá, entre Santo Antônio do Leverger até a Barra do Aricá, totalizando 9 comunidades ribeirinhas, a pesca e a produção de rapaduras sempre foram as atividades principais exercidas pelas famílias em mais de um século. Com o passar do tempo, as pequenas propriedades às margens do rio foram sendo vendidas para pessoas de fora e aconteceu o inevitável: as margens do rio Cuiabá foram desmatadas e o assoreamento e desbarrancamento foram destruindo as margens e reduzindo as áreas. "Há uns 30 anos, da minha casa até a beira do rio tinha mais de 100 metros. Hoje perdemos uns 20 metros e a casa está dentro da área de preservação permanente. Tem lugar aqui perto que a estrada mudou umas 3 vezes porque o barranco vai caindo", conta Jacson de Arruda.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL-MT), as regiões degradadas já atingem pelo menos 90 km de rio, o equivalente a mais de 800 campos de futebol.
Com a construção da Usina Hidrelétrica de Manso, em funcionamento desde 2005, o nível das águas do rio Cuiabá ficou muito instável, prejudicando a pesca por muitos anos. Numa pesquisa realizada em 2006 pela bióloga doutora do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Sebastiana Arruda Reis, sobre a percepção dos ribeirinhos e os impactos de represas nas bacias hidrográficas dos rios Paraná e Cuiabá, identificou-se que 88% dos ribeirinhos vivem da pesca na região de Santo Antônio do Leverger e declaram-se pescadores profissionais. "O rio perdeu vida e os peixes foram desaparecendo. A gente não vê mais dourado aqui em Barranco Alto. O lixo que desce pelo rio Cuiabá é muito grande e acaba matando os peixes. As baías estão com suas bocas tampadas, impedindo o peixe de sair. A gente ainda consegue pegar peixe mas é preciso buscar outro tipo de serviço para sustentar a família", diz Jacson.
Os pescadores profissionais exercem outras atividades para complementar a renda familiar. A falta de qualificação profissional para outras atividades impede que eles realizem atividades mais complexas, ficando restritos aos conhecimentos agrícolas, realizando lavoura de pequeno porte e criação de animais (aves, porcos e algumas cabeças de gado). A produção excedente é vendida na própria localidade ou regiões próximas. Outra atividade secundária que faz parte da cultura dos ribeirinhos do Cuiabá é a produção de farinha. Os agricultores sempre estão às voltas com o preparo da farinha onde é consumida familiarmente e comercializada, constituindo numa razoável fonte de renda.
Outro lado - O Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs-MT), informa que o retorno das atividades da usina de álcool, localizada na Comunidade de Barranco Alto, está aguardando uma posição do município de Santo Antônio do Leverger para escolha de um novo local para as instalações.
O projeto desenvolvido na comunidade de Barranco Alto integra as ações do Consórcio de Segurança Alimentar de Desenvolvimento Local (Consad), uma parceria entre Município, Estado e União. A construção da usina data de 2005, porém em 2008 entrou em vigor uma nova legislação ambiental no Estado, cujas determinações exigem distância mínima de 300 metros da margem do rio para qualquer construção.
A Setecs informa também que a demora no processo de resolução do problema culminou na devolução do dinheiro repassado para compra dos equipamentos da usina para o Ministério do Desenvolvimento Econômico e Social e Combate à Fome (MDS).
Matéria publicada pela Assessoria da Setec na época da inauguração da fábrica
Sexta, 19 de outubro de 2007
ECONOMIA SOLIDÁRIA
Produção de cana-de-açúcar em Santo Antônio ganha mais valor com agroindústria
GABRIELE SCHIMANOSKI
Assessoria/Setecs-MT
Agora a produção da comunidade rural de Barranco Alto, em Santo Antônio de Leverger, ganhou mais valor através do beneficiamento e transformação de produtos originados da cana-de-açúcar, principal atividade da região. O Governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs), em parceria com o Governo Federal entregou nesta quinta-feira (18.10) as obras da agroindústria no município. Durante a solenidade estiveram presentes o secretário Nacional de Segurança Alimentar do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Onaur Ruano, o presidente do Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat), Afonso Dalberto, o prefeito de Santo Antônio, Faustino Dias, entre outras autoridades locais.
As obras fazem parte do Projeto de Agregação de Valor à Produção através da Agroindustrialização. Essa iniciativa tem como objetivo dar melhoria às condições sócio-econômicas das famílias da Baixada Cuiabana e é desenvolvido pelo Consórcio Inter-Municipal de Segurança Alimentar e Desenvolvimento Local (Consad).
A agroindústria de Barranco Alto vai absorver toda a produção de cana dos pequenos agricultores do município e adjacências. É um sonho antigo da comunidade, que começou em 1988, com o primeiro movimento em prol da implantação da Cooperativa de Barranco Alto (BarranCop).
Para o secretário Nacional de Segurança Alimentar, Onaur Ruano, chegar na finalização de um projeto como esse não seria possível sem o esforço do Consad e da parceria das lideranças locais com as esferas de governo. “É importante lembrar que esse projeto busca dar valor a vocação local, pegar o que a comunidade tem de melhor e agregar valor. Isso é a nossa missão. O dinheiro público revertido em geração de trabalho e renda para a melhoria das condições sócio-econômicas das famílias que aqui vivem”, afirmou.
De acordo com o presidente do Consad, Washigton Luiz, obras como essa são importantes para mostrar a força da produção local. “A comunidade está de parabéns, assim como os membros do Consad, que trabalharam dia e noite para finalizar esse projeto. A partir de agora a comunidade vai conseguir comercializar sua produção”, disse.
Para que a produção da comunidade tenha mais valor de mercado e origine produtos nutricionalmente adequados e também mais baratos, o projeto conta com vários parceiros, como é o caso do Sebrae. “O Sebrae foi convidado para dar apoio à comercialização, gestão, associativismo e produção”, afirmou Leide Novaes, representante do Sebrae-MT.
“A secretária Terezinha Maggi, da Setecs, acreditou e confiou no trabalho da comunidade e do Consad e quando nos designou para acompanhar o projeto determinou que fosse feito de tudo para que estes trabalhadores rurais conseguissem realizar o sonho de ver os produtos da região nas prateleiras dos mercados, em feiras e no comércio em geral. Daqui pra frente é a comunidade que vai mostrar o seu produto, o seu talento”, disse a secretária adjunta de Assistência Social da Setecs, Neide Mendonça.
Para o prefeito de Santo Antônio, Faustino Dias, esse é um projeto do povo, pois veio do Consad, ou seja, da sociedade civil. “Estamos todos satisfeitos com o Governo do Estado, com o Governo Federal, tenho certeza que todos os cooperados vão desenvolver um trabalho com responsabilidade para não desperdiçar essa oportunidade que foi dada”.
Todos os produtos da agroindústria serão entregues com o selo “O Bom do Mato”, devidamente autorizado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (Seder-MT), com inspeção sanitária.
Para o presidente da Cooperativa, Pedro Marques, esse trabalho foi pensando no futuro das famílias da comunidade, para que as próximas gerações continuem no local produzindo. “Só tenho a agradecer o esforço de todos os cooperados, pois foi em conjunto que lutamos pra conseguir a realização desse sonho. É uma obra de grande valia para a comunidade que ficará pra os nossos filhos e netos. Tem tudo pra dar certo, só basta trabalhar”.
CONSAD BAIXADA CUIABANA - formado pelos municípios de Acorizal, Barão de Melgaço, Chapada dos Guimarães, Cuiabá, Jangada, Nossa Senhora do Livramento, Poconé, Rosário Oeste, Santo Antônio de Leverger, Nobres, Planalto da Serra e Várzea Grande, o Consad Baixada Cuiabana totaliza mais de 800 mil habitantes no Mato Grosso.
Atualmente, em todo o País, o MDS apóia 40 Consads, que representam 576 municípios nas regiões Norte (68), Nordeste (158), Centro-Oeste (44), Sudeste (153) e Sul (153). Organizadas territorialmente a partir de semelhanças econômicas, ambientais, históricas e sociais, as cidades buscam o progresso conjunto com a articulação e estímulo de iniciativas que valorizem suas potencialidades e garantam que a riqueza produzida seja revertida em benefício das próprias populações.
NOVAS AGROINDÚSTRIAS
Nesta sexta-feira (19.10), serão entregues outras três agroindústrias que fazem parte do Projeto de Agregação de Valor à Produção através da Agroindustrialização, sendo uma em Jangada, que vai trabalhar com as polpas de frutas da região, a outra em Várzea Grande, voltada para o processamento de peixe e a terceira em Cuiabá, com a produção de doces com frutas da região.
O secretário Nacional de Segurança Alimentar do MDS, Onaur Ruano, juntamente com o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal de Cuiabá inauguram ainda nesta sexta-feira um Banco de Alimentos.
Matéria publicada pelo Site Prosaepolítica no último dia 12/12/2010
Pensando bem … bem feito
Li no Jornal A Gazeta deste domingo uma matéria que a princípio me revoltou. Segundo a reportagem, a população da comunidade de Barranco Alto, em Santo Antônio do Leverger (34 km ao sul de Cuiabá), há três anos caiu no conto da fábrica de beneficiamento de produtos de derivados da cana de açúcar. Uma iniciativa da Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social – Setecs em parceria com o Governo Federal. A fábrica nunca funcionou e segundo a reportagem, prejudicou mais de 350 famílias da região que investiram no plantio da cana para a produção de rapaduras e hoje estão devendo o banco, pois a fábrica só foi inaugurada e nunca funcionou .
A indústria fazia parte do Projeto de Agregação de Valor à Produção através da Agroindustrialização.
Lindo o nome, né não?
A agroindústria de Barranco Alto, segundo a Setecs, iria melhorar às condições socioeconômicas das famílias da Baixada Cuiabana. “A secretária Terezinha Maggi, da Setecs, acreditou e confiou no trabalho da comunidade e quando nos designou para acompanhar o projeto determinou que fosse feito de tudo para que estes trabalhadores rurais conseguissem realizar o sonho de ver os produtos da região nas prateleiras dos mercados, em feiras e no comércio em geral. Daqui pra frente é a comunidade que vai mostrar o seu produto, o seu talento”, disse a secretária adjunta de Assistência Social da Setecs, Neide Mendonça que representou a secretária na inauguração, assim está numa das matérias produzidas pela assessoria de imprensa da secretaria.
Ah sim, a inauguração contou com a presença do Secretário nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Onaur Ruano, conforme a foto.
Li a reportagem e fique indignada. Daí fui no site do Tribunal Regional Eleitoral ver como a população de lá votou:
Presidência: Dilma = 211 / Serra = 10
Governo: Silval Barbosa (candidato de Blairo Maggi) = 163 / Mauro Mendes = 55
Quer saber? Bem feito pra população.
Tomara que daqui a quatro anos eles tenham levado outro cano.
CONFIRA MAIS FOTOS DA INAUGURAÇÃO NA GALERIA DE IMAGENS.