Vai sobrar até para o Jacaré !

Didi Padilha e seu artigo, "PESCADORES..! A CULPA É DO JACARÉ!"

Redação: Didi Padilha | 06/12/2010 - 00:00
Didi Padilha e seu artigo,

Nascido nas barrancas do rio Cuiabá, entre a região do Valo Verde e Bocaiuval o economista “ Didi Padilha” publica mais um artigo de sua autoria para o Levergernews e o jornal A Notícia. Neste último, o economista discorre sobre o período do defeso da piracema, principalmente na região de Santo Antônio, sua terra natal.

 

PESCADORES...! A CULPA É DO JACARÉ!
Pescar ao contrário do que pode pensar um leigo no assunto é uma atividade que envolve, além de muita paciência, uma série de cuidados e atenção a detalhes que fazem a diferença. Não basta o resultado, ou seja, levar um bom peixe pra casa ou para vender. É preciso entender o ambiente, respeitar a época mais favorável, usar os equipamentos adequados, conhecer os métodos de conservação e manejo dos pescados, as características das espécies da região e, claro, saber que existem leis especificas sobre a concessão de registros de pesca, sobre o estabelecimento de locais onde e quando a atividade é proibida e várias outras exigências que o pescador profissional e o artesanal não estão dispensados de cumprir.
 Engana-se quem pensa que são questões direcionadas apenas para pescadores. Consumidores também precisam estar atentos para não incorrer na falta de ética ao comprar peixes protegidos por lei. Apesar de não ser uma punição legalmente punível, é um ato prejudicial às espécies, que estimula a prática – esta sim, crime – de pescados em período de defeso da piracema, que em Mato Grosso se estende de novembro a fevereiro.
 Segundo dados da FAO a maior parte dos recursos pesqueiros do planeta (80%) encontram-se super-explorados ou colapsados. Ou seja, o cenário mundial da pesca é de CRISE e o pantanal não fica fora dessa discussão.
 A exploração indiscriminada dos estoques pesqueiros do pantanal, atualmente próximos do seu limite auto-sustentável, e a crescente diferença entre a quantidade de peixe capturado e a demanda de consumo, esta tornando a piscicultura uma das alternativas mais viáveis para produção de alimentos para consumo humano de alto valor protéico.
Então! Porque nossos representantes têm medo de abrir este debate com a sociedade? Estamos falando da busca de soluções e não dos culpados.
No cenário nacional, os índices de produtividade da pesca extrativista vêm diminuindo em relação à aqüicultura (piscicultura), entretanto, o que poderia ser considerada uma grande oportunidade para o Mato Grosso, principalmente para baixada cuiabana, em decorrência da sua disponibilidade hídrica, condições climáticas excepcionais e tecnologia disponível para produção de espécies nativas, esta se tornando um grande pesadelo, principalmente para os pequenos e médios produtores de pescado.
 
A falta de incentivos fiscais, os elevados custos dos insumos produtivos, comercialização, ações isoladas de fomento/repovoamento de cunho meramente político e o reduzido consumo interno de pescado, entre outros fatores, mostram a falta de políticas públicas apropriadas para o desenvolvimento da produção pesqueira deste Estado. Será que faltam informações ou as informações disponíveis não são confiáveis para estabelecer estas políticas.
 
A falta de informações técnicas e científicas qualificadas compromete, sobretudo no Pantanal, a formatação do Ordenamento Pesqueiro (conjunto de normas e regras estabelecidas para a atividade). Este Ordenamento deve refletir políticas públicas focadas principalmente na sustentabilidade.
 
Tudo é uma questão de tempo. Aliás, muito em breve não haverá peixe para todos. A continuar este cenário no pantanal, em poucos anos haverá duas opções para os dois tipos pescadores: aos amadores restará a pesca nos “pesque e pague” aos profissionais: procurar emprego no Turismo de Pesca – se ainda existir, ou propor ao governo e à Assembléia Legislativa uma Lei da Caça ao Jacaré... é quem vai, no final, pagar a conta. A final a culpa é do jacaré!!!!!!!!
DIDI PADILHA – Economista, Produtor Rural no pantanal em Santo Antonio de Leverger/MT.
 
Fonte: Didi Padilha - economista /UFMT