O diretor da Escola Estadual Santana do Taquaral em Santo Antônio de Leverger, Valmir Fernandes, foi gravado dizendo que "político é mais sujo que puleiro de galinha" durante uma reunião de portas fechadas com funcionários, na qual cobra apoio à candidatura do exsecretário de Educação Alan Porto (Republicanos) e relata uma suposta divisão de cotas de votos entre escolas.
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O áudio veio à tona nesta terça-feira (8). O Ministério Público Eleitoral (MPE) investiga se estrutura da Secretaria de Estado de Educação está sendo usada para favorecer a candidatura de Porto.
Segundo a gravação, cada uma das 13 escolas do município teria recebido uma meta de votos para ajudar Porto na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa.
Para a Santana do Taquaral, a conta seria de 50 votos. No áudio, Fernandes afirma que, mesmo se Porto não for eleito deputado, pode voltar a comandar a Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT). O diretor então cita principalmente os servidores contratados e afirma que até funcionários efetivos poderiam ser prejudicados com mudanças de lotação.
E vocês são o quê? Vocês são o quê? Contrato. Porque é política, é marcação. E sendo efetivo ou não efetivo, vai mudar de... vai colocar pra outra, vai destinar em ponto pra outro lugar", afirma.
Durante a reunião, o diretor também relata como teriam sido estabelecidas as metas. "São 13 diretores do município. Cada escola ficou com uma cota", afirma.
Ele cita diferentes escolas e números de votos. Ao chegar à Santana do Taquaral, menciona a meta de 50 votos. Alguns funcionários durante a reunião afirmam que já têm outros candidatos ou que não poderiam votar em Porto. Fernandes continua explicando o funcionamento da articulação política.
Política chama-se jogo sujo. Não é? Ou não? O político é bonitinho, é certinho? É mais sujo que o puleiro de galinha", disparou.
Em outro momento, ele relata uma conversa em que teria sido discutida uma contrapartida para a escola caso a candidatura fosse apoiada. Cita a possibilidade de conseguir uma quadra para a comunidade escolar. "Lembra quando você deu uma quadra lá pra sua comunidade? Pra sua escola? Falei, eu quero. Pois a quadra vai estar na mão", diz
O diretor também insiste na ideia de que políticos identificam quem está do lado deles e quem não está. "Você sabe qual é o pior? Eles marcam as pessoas", afirma. Na gravação, funcionários demonstram preocupação e resistência diante da possibilidade de retaliação.
O diretor afirma que, sendo efetivo ou não, o servidor poderia ser transferido ou ter sua lotação alterada.
OUTRO LADO
O candidato a deputado estadual Alan Porto informou por meio de nota informou que todos os seus atos e atividades são realizados com absoluto respeito à legislação eleitoral e às normas estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Ressaltou que a liberdade de escolha do eleitor é princípio fundamental do processo democrático e compromisso inegociável desta campanha e que Alan jamais autorizou qualquer diretor, funcionário, apoiador ou colaborador de qualquer instituição a falar em seu nome para exercer pressão, constrangimento ou qualquer forma de interferência sobre a decisão de quem quer que seja.
"Em relação a áudios, denúncias, representações ou outros questionamentos eventualmente encaminhados às autoridades, a campanha confia plenamente no trabalho das instituições e na correta apuração dos fatos. Sempre que necessário, os esclarecimentos serão prestados, com tranquilidade, transparência e respeito às decisões da Justiça Eleitoral. Alan Porto seguirá concentrado na apresentação de propostas e no diálogo com a população", traz trecho da nota

