PROJEÇÃO

PL precisa que capilaridade da chapa e fator 22 funcionem para garantir 3 vagas e não deixar medalhão de fora

Redação: Baixada Cuiabana News | 05/09/2026 - 18:10
PL precisa que capilaridade da chapa e fator 22 funcionem para garantir 3 vagas e não deixar medalhão de fora

O PL entra na disputa pela Assembleia Legislativa com duas cadeiras como piso, mas precisa que a capilaridade da chapa e o peso eleitoral do número 22 funcionem em conjunto para transformar a terceira vaga em realidade. Os deputados Gilberto Cattani e Faissal Calil e a primeira-dama de Cuiabá Samantha do Abilio aparecem no primeiro bloco, mas, se o partido parar em duas cadeiras, pelo menos um nome de peso ficará fora.

A conta passa por dois movimentos. De um lado, Cattani, Faissal e Samantha precisam entregar algo próximo de 120 mil votos

 juntos. Do outro, Luciana Horta, Alcino Barcelos, vereadores, suplentes, ex-prefeitos e lideranças bolsonaristas espalhadas pelo Estado precisam engrossar a votação coletiva e levar o PL para a casa dos 200 mil votos.

Com esse patamar, a média para a terceira cadeira ficaria entre 65 mil e 66,7 mil votos, suficiente para manter o partido competitivo na disputa das sobras. Se a chapa conseguir avançar para a faixa dos 205 mil a 220 mil votos, essa média sobe para algo entre 68,3 mil e 73,3 mil e a terceira cadeira passa a ficar bem mais forte.

A projeção central coloca o PL entre 195 mil e 200 mil votos, patamar suficiente para garantir duas cadeiras e manter o partido vivo pela terceira. Num cenário otimista, entre 205 mil e 220 mil votos, a legenda aumenta consideravelmente suas chances de eleger três deputados.

Cattani e Faissal

Gilberto Cattani e Faissal Calil são os dois nomes mais testados da chapa. Cattani recebeu 44.705 votos em 2022. Faissal teve 30.240. Somados, os dois entregaram 74.945 votos na última eleição estadual.

Agora, ambos chegam com quatro anos adicionais de mandato, maior exposição estadual e estruturas políticas mais consolidadas. Cattani mantém forte identificação com o eleitorado conservador e com setores do agronegócio.

Faissal também ampliou sua presença política durante o mandato e entra em 2026 com condições superiores às que tinha na eleição passada. Ele também chega agora à eleição pelo PL, sigla com a qual se identifica politicamente desde 2022.

Samantha carrega três forças

Samantha Iris é a principal novidade da chapa e pode ser o nome responsável por mudar o patamar eleitoral do PL. Ela foi a vereadora mais votada de Cuiabá em 2024, com 7.460 votos, é primeira-dama de Cuiabá, tem a estrutura política da Capital ao seu redor e conta com o prefeito Abilio Brunini em campanha aberta por sua eleição.

A estratégia é explícita. O nome de urna escolhido é “Samantha do Abilio”, numa tentativa direta de colar sua candidatura à popularidade e à identidade política construída pelo marido, um nome do bolsonarismo com forte projeção nacional nas redes sociais.

Ela chega, portanto, com três forças combinadas: votação 

própria, estrutura política ligada à Prefeitura de Cuiabá e o capital eleitoral de Abilio.

A projeção trabalha com Cattani, Faissal e Samantha entregando juntos entre 110 mil e 130 mil votos.

Luciana e Alcino abrem novos polos

A segunda linha da chapa também possui candidatos capazes de produzir votação própria relevante.

Luciana Horta foi a vereadora mais votada de Rondonópolis em 2024 e construiu sua atuação política com forte identificação com o bolsonarismo. Essa identidade ganhou ainda mais projeção depois de ela estar entre as pessoas atingidas por um raio durante a marcha liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira.

A votação municipal, a presença nas redes e a inserção no eleitorado conservador colocam Luciana como um dos nomes com capacidade para crescer na eleição estadual.

Alcino Barcelos cumpre papel semelhante no polo de Pontes e Lacerda. Ex-prefeito, possui forte presença política na região e construiu uma comunicação própria nas redes sociais. É um influenciador político regional, com capacidade de mobilização que vai além da estrutura tradicional de lideranças partidárias.

A projeção é que Luciana e Alcino, juntos, entreguem algo em torno de 40 mil votos. Somados aos três primeiros nomes, o PL já poderia chegar à casa dos 160 mil votos apenas com seus cinco principais candidatos.

Vereadores e suplentes engrossam a chapa

É no terceiro bloco que aparece a profundidade que torna a terceira cadeira plausível.

Rafael Yonekubo é suplente de vereador em Cuiabá e possui ligação direta com a organização dos movimentos bolsonaristas na Capital. Em 2022, já havia disputado uma cadeira na Assembleia e manteve presença dentro da militância política do segmento.

Abmael Borges foi prefeito de Vila Rica por dois mandatos e possui estrutura no Norte Araguaia. Irmão Geremias é vice-prefeito de Juína e integra um grupo político dominante no município.

Mauricio Escobar foi eleito vereador em Tangará da Serra e chega com base própria no Médio Norte. Jerônimo Gonçalves exerce mandato de vereador em Cáceres e adiciona votos no Oeste.

Vitor Gabriel também possui mandato em Juína. Jane Delalibera tem longa trajetória política em Sorriso e já exerceu mandato de vereadora. Prof. Gilmar Miranda foi candidato a deputado estadual em 2022, ficou na suplência e chegou a assumir uma cadeira na Assembleia durante o mandato.

Daise Martins tem três mandatos consecutivos de vereadora em Tapurah. Zé Márcio Guedes possui histórico político em Rondonópolis e já exerceu mandato de vereador.

Esse conjunto não precisa produzir grandes votações individuais para alterar a conta final. Se dez candidatos desse bloco entregarem uma média de 3 mil votos cada, são outros 30 mil votos. Isso sem contar os outros dez nomes ainda presentes na chapa.

Com aproximadamente 160 mil votos projetados para os cinco principais candidatos e outros 30 mil produzidos por esse grupo 

intermediário, o PL chegaria perto dos 190 mil. Se os dez nomes restantes acrescentarem mais cerca de 10 mil votos, a chapa alcança a casa dos 200 mil antes mesmo de considerar um desempenho acima da média de algum candidato menor ou uma votação mais forte diretamente na legenda.

A partir daí, a expectativa é que a chapa seja reforçada pelo “fator 22”. O PL pode transformar a força nacional da legenda em voto diretamente no partido e também impulsionar candidatos identificados com Jair Bolsonaro.

Esse efeito é justamente o que pode separar o cenário central do cenário otimista.

Na faixa entre 195 mil e 200 mil votos, o PL faria duas cadeiras e entraria na disputa pela terceira com média entre 65 mil e 66,7 mil votos. É uma pontuação suficiente para disputar as últimas vagas, mas ainda dependente das médias alcançadas pelas outras chapas.

Se o fator 22 e a capilaridade dos candidatos empurrarem o partido para 205 mil votos, a média da terceira sobe para 68,3 mil. Com 210 mil, chega a 70 mil. Com 220 mil, vai a 73,3 mil.

Se isso acontecer, o PL deve eleger três deputados. Se não acontecer, a consequência será imediata: entre Cattani, Faissal e Samantha, pelo menos um medalhão ficará sem cadeira na Assembleia.

  

Fonte: Olhardireto